O Segundo Livro dos Reis é o décimo segundo livro da Bíblia e dá continuidade à história dos reinos de Israel e Judá, cobrindo aproximadamente 300 anos. Inclui os ministérios dos profetas Elias e Eliseu, a queda de Samaria (norte) para a Assíria em 722 a.C., as reformas de Ezequias e Josias em Judá, e finalmente a queda de Jerusalém para a Babilônia em 586 a.C., com o subsequente exílio. É reconhecido como canônico por todas as principais tradições cristãs e pelo judaísmo, onde é parte dos 'Profetas Anteriores' (Nevi'im Rishonim).
2 Reis
Capítulo 18
E SUCEDEU que, no ano terceiro de Oséias, filho de Elá, rei de Israel, começou a reinar Ezequias, filho de Acaz, rei de Judá.
Tinha vinte e cinco anos de idade quando começou a reinar, e reinou vinte e nove anos em Jerusalém; e era o nome de sua mãe Abi, filha de Zacarias.
E fez o que era reto aos olhos do Senhor, conforme tudo o que fizera Davi, seu pai.
Ele tirou os altos, e quebrou as estátuas, e cortou os bosques, e fez em pedaços a serpente de metal que Moisés fizera; porque os filhos de Israel queimavam incenso a ela; e chamaram-lhe Neustã.
No Senhor Deus de Israel confiou; de modo que depois dele não houve seu semelhante entre todos os reis de Judá, nem antes dele.
Porque se apegou ao Senhor, e nunca se apartou de segui-lo; antes guardou os mandamentos que o Senhor ordenara a Moisés.
E o Senhor era com ele; e para onde quer que ia, prosperava; e se rebelou contra o rei da Assíria, e não o serviu.
Ele feriu os filisteus até Gaza, como também os seus termos, desde a torre dos atalaias até à cidade fortificada.
E sucedeu que, no ano quarto do rei Ezequias, que era o ano sétimo de Oséias, filho de Elá, rei de Israel, subiu Salmaneser, rei da Assíria, contra Samaria, e a cercou.
E ao fim de três anos a tomaram; no ano sexto de Ezequias, que era o ano nono de Oséias, rei de Israel, Samaria foi tomada.
E o rei da Assíria transportou a Israel para a Assíria, e os colocou em Halate, e em Habor, junto ao rio de Gozã, e nas cidades dos medos.
Porque não obedeceram à voz do Senhor seu Deus; antes traspassaram o seu concerto, e tudo quanto Moisés, servo do Senhor, lhe ordenara; não o ouviram, nem o fizeram.
E no ano décimo quarto do rei Ezequias, subiu Senaqueribe, rei da Assíria, contra todas as cidades fortificadas de Judá, e as tomou.
Então Ezequias, rei de Judá, enviou ao rei da Assíria, a Laquis, dizendo: Pequei; retira-te de mim; o que me impuseres, suportarei. Então o rei da Assíria impôs a Ezequias, rei de Judá, trezentos talentos de prata e trinta talentos de ouro.
E Ezequias deu toda a prata que se achou na casa do Senhor e nos tesouros da casa do rei.
Naquele tempo cortou Ezequias o ouro das portas do templo do Senhor, e das ombreiras que Ezequias, rei de Judá, cobrira, e o deu ao rei da Assíria.
E o rei da Assíria enviou a Tartã, a Rabe-Saris, e a Rabsaqué, de Laquis ao rei Ezequias, com um grande exército, a Jerusalém; e subiram, e vieram a Jerusalém; e, tendo subido, chegaram, e pararam junto ao aqueduto da piscina superior, que está junto à estrada do campo do lavandeiro.
E chamaram o rei; então saiu a eles Eliaquim, filho de Hilquias, o mordomo, e Sebna, o escrivão, e Joá, filho de Asafe, o chanceler.
Então Rabsaqué lhes disse: Dizei a Ezequias: Assim diz o grande rei, o rei da Assíria: Que confiança é esta em que te firmas?
Dizes (mas são palavras vãs): Conselho e poder tenho para a guerra. Em quem, pois, agora confias, que contra mim te rebelas?
Agora, pois, eis que tu confias no Egito, naquela cana quebrada, em que, se alguém se apoiar, entrar-lhe-á pela mão, e a furará; tal é Faraó, rei do Egito, para com todos os que nele confiam.
E se me disserdes: No Senhor nosso Deus confiamos; porventura não é aquele cujos altos e cujos altares Ezequias tirou, dizendo a Judá e a Jerusalém: Perante este altar vos inclinareis em Jerusalém?
Ora, pois, empenha-te com o rei da Assíria, meu senhor; e dar-te-ei dois mil cavalos, se puderes dar cavaleiros para eles.
Como pois farias voltar o rosto de um só capitão dos menores dos servos de meu senhor? E confias no Egito por causa dos carros e cavaleiros?
Agora, subi eu, sem o Senhor, contra este lugar, para o destruir? O Senhor me disse: Sobe contra esta terra, e destrói-a.
Então disse Eliaquim, filho de Hilquias, e Sebna, e Joá, a Rabsaqué: Rogamos-te que fales aos teus servos em aramaico; porque bem o entendemos; e não nos fales em judaico, aos ouvidos do povo que está sobre os muros.
Porém Rabsaqué lhes disse: Porventura mandou-me meu senhor somente a teu senhor e a ti, para dizer estas palavras, e não aos homens que estão assentados sobre os muros, para que comam o seu esterco, e bebam a sua urina convosco?
Rabsaqué, pois, se pôs em pé, e gritou em alta voz em judaico, e falou, dizendo: Ouvi a palavra do grande rei, o rei da Assíria.
Assim diz o rei: Não vos engane Ezequias; porque não vos poderá livrar da sua mão.
Nem tampouco vos faça Ezequias confiar no Senhor, dizendo: Certamente nos livrará o Senhor, e esta cidade não será entregue na mão do rei da Assíria.
Não deis ouvidos a Ezequias; porque assim diz o rei da Assíria: Fazei paz comigo, e saí a mim; e coma cada um da sua vide, e da sua figueira, e beba cada um a água da sua cisterna;
Até que eu venha, e vos leve para uma terra como a vossa, terra de trigo e de mosto, terra de pão e de vinhas, terra de azeite de oliveira e de mel, e assim vivereis, e não morrereis; e não deis ouvidos a Ezequias, porque vos persuade, dizendo: O Senhor nos livrará.
Porventura os deuses das gentes livrou cada qual a sua terra da mão do rei da Assíria?
Onde estão os deuses de Hamate e de Arpade? Onde estão os deuses de Sefarvaim, Hena, e Iva? E livraram a Samaria da minha mão?
Quais são, dentre todos os deuses das terras os que livraram a sua terra da minha mão, para que o Senhor livrasse a Jerusalém da minha mão?
Porém o povo se calou, e nada lhe respondeu, porque o rei tinha mandado, dizendo: Não lhe respondereis.
Então Eliaquim, filho de Hilquias, o mordomo, e Sebna, o escrivão, e Joá, filho de Asafe, o chanceler, vieram a Ezequias, com as vestes rasgadas, e lhe declararam as palavras de Rabsaqué.