O Segundo Livro dos Reis é o décimo segundo livro da Bíblia e dá continuidade à história dos reinos de Israel e Judá, cobrindo aproximadamente 300 anos. Inclui os ministérios dos profetas Elias e Eliseu, a queda de Samaria (norte) para a Assíria em 722 a.C., as reformas de Ezequias e Josias em Judá, e finalmente a queda de Jerusalém para a Babilônia em 586 a.C., com o subsequente exílio. É reconhecido como canônico por todas as principais tradições cristãs e pelo judaísmo, onde é parte dos 'Profetas Anteriores' (Nevi'im Rishonim).
2 Reis
Capítulo 4
E UMA mulher, das mulheres dos filhos dos profetas, clamou a Eliseu, dizendo: Meu marido, teu servo, é morto; e tu sabes que o teu servo temia ao Senhor; e veio o credor a levar-me os meus dois filhos para serem seus servos.
E Eliseu lhe disse: Que te hei de fazer? Dize-me, que tens em casa? E ela disse: Tua serva não tem nada em casa, senão uma botija de azeite.
Então disse ele: Vai, pede para ti vasos emprestados a todos os teus vizinhos, vasos vazios, não poucos.
Então entra, e fecha a porta sobre ti e sobre teus filhos, e deita azeite em todos aqueles vasos, e põe à parte o que estiver cheio.
E ela se foi dele, e fechou a porta sobre si e sobre seus filhos; e eles lhe traziam os vasos, e ela deitava azeite.
E sucedeu que, cheios os vasos, disse a seu filho: Traze-me ainda um vaso. Porém ele lhe disse: Não há mais vaso algum. Então o azeite parou.
Então veio ela, e o fez saber ao homem de Deus; e ele disse: Vai, vende o azeite, e paga a tua dívida; e tu e teus filhos vivei do resto.
E sucedeu que, um dia, passava Eliseu por Suném; e havia ali uma mulher rica, que o constrangeu a comer pão; e sucedeu que, todas as vezes que passava, entrava ali para comer pão.
E ela disse a seu marido: Eis que tenho observado que este que sempre passa por nós é santo homem de Deus.
Façamos-lhe, pois, um pequeno quarto sobre a parede, e ponhamos ali para ele uma cama, e uma mesa, e uma cadeira, e um candeeiro; e será que, vindo a nós, entrará ali.
Sucedeu, pois, que, um dia, veio a ela, e entrou no quarto, e se deitou ali.
E disse a Geazi, seu moço: Chama esta sunamita. E ele a chamou, e ela se pôs diante dele.
Então ele disse: Dize-lhe: Eis que nos tens tratado com todo este cuidado; que se há de fazer por ti? Haverá que falar por ti ao rei, ou ao chefe do exército? Porém ela disse: Eu habito no meio do meu povo.
Então disse ele: Que se há de fazer por ela? E disse Geazi: Ora, ela não tem filho, e seu marido é velho.
E disse ele: Chama-a. E ele a chamou, e ela se pôs à porta.
E disse: A esse tempo determinado, para o ano, abraçarás um filho. Porém ela disse: Não, meu senhor, homem de Deus, não mintas à tua serva.
Porém a mulher concebeu, e deu à luz um filho, no tempo determinado, que Eliseu lhe dissera, para o ano.
E cresceu o menino; e sucedeu que, um dia, saiu para ter com seu pai, que estava com os segadores.
E disse a seu pai: Minha cabeça, minha cabeça. Então disse a um moço: Leva-o a sua mãe.
E ele o tomou, e o levou a sua mãe; e esteve sobre os seus joelhos até o meio-dia; e morreu.
Então subiu, e o deitou na cama do homem de Deus; e fechou a porta, e saiu.
E chamou a seu marido, e disse: Envia-me, peço-te, um dos moços, e uma das jumentas, até que eu corra ao homem de Deus, e volte.
E ele disse: Por que hás de ir a ele hoje? Não é lua nova nem sábado. Porém ela disse: Paz seja.
Então albardou a jumenta, e disse ao seu moço: Guia-a e segue-te; não te detenhas no andar, senão pelo que eu te disser.
Assim se foi, e veio ao homem de Deus, ao monte Carmelo. Sucedeu, pois, que, vendo-a o homem de Deus defronte, disse a Geazi, seu moço: Eis a sunamita.
Vai, pois, agora, corre-lhe ao encontro, e dize-lhe: Vais bem? E disse a teu marido, e a teu filho, bem? E ela disse: Bem.
Porém, chegando ao monte ao homem de Deus, pegou-lhe dos pés; e Geazi se chegou para a tirar; mas o homem de Deus disse: Deixa-a, porque a sua alma está amargurada, e o Senhor mo encobriu, e não mo fez saber.
E ela disse: Pedi eu porventura um filho ao meu senhor? Não disse eu: Não me enganes?
Então disse a Geazi: Cinge os teus lombos, e toma o meu cajado na tua mão, e vai; se encontrares alguém, não o saúdes; e, se alguém te saudar, não lhe respondas; e porás o meu cajado sobre o rosto do menino.
Porém a mãe do menino disse: Vive o Senhor, e vive a tua alma, que te não deixarei. Então ele se levantou, e a seguiu.
E Geazi passou adiante deles, e pôs o cajado sobre o rosto do menino; porém não houve voz nem sentido; pelo que voltou a encontrar-se com ele, e lhe deu aviso, dizendo: O menino não despertou.
E Eliseu entrou na casa, e eis que o menino estava morto, estendido sobre a sua cama.
Então entrou, e fechou a porta sobre eles ambos, e orou ao Senhor.
Então subiu, e se deitou sobre o menino, e pôs a sua boca sobre a sua boca, e os seus olhos sobre os seus olhos, e as suas mãos sobre as suas mãos; e se estendeu sobre ele, e a carne do menino aqueceu.
Então desceu, e passeou pela casa de uma para outra parte; depois tornou a subir, e se estendeu sobre ele; e o menino espirrou sete vezes, e abriu os olhos.
E ele chamou a Geazi, e disse: Chama a esta sunamita. E ele a chamou; e ela entrou, vindo a ele; então ele disse: Toma o teu filho.
E ela entrou, e se lançou aos seus pés, e se prostrou em terra; e tomou o seu filho, e saiu.
E voltou Eliseu a Gilgal; e havia fome na terra; e os filhos dos profetas estavam assentados na sua presença; e disse ao seu moço: Põe a panela grande ao lume, e faze um caldo de ervas para os filhos dos profetas.
Então um deles saiu ao campo a apanhar ervas, e achou uma parra brava, e dela colheu colocíntidas, o seu vestido cheio; e veio, e as cortou na panela do caldo; porque não as conheciam.
Assim deram de comer aos homens. E sucedeu que, comendo eles daquele caldo, gritaram, dizendo: Temos morte na panela, ó homem de Deus. E não o puderam comer.
E disse ele: Trazei farinha. E deitou-a na panela, e disse: Tira para aquela gente, para que comam. E já não havia mal nenhum na panela.
E veio um homem de Baal-Salisa, e trouxe ao homem de Deus pães das primícias, vinte pães de cevada, e espigas verdes no seu alforge. E ele disse: Dá ao povo, para que coma.
Porém seu servidor disse: Que, darei eu isto diante de cem homens? Ele disse: Dá ao povo, para que coma; porque assim diz o Senhor: Comerão, e ainda sobejará.
Ele, pois, deu-lho, e comeram, e ainda sobejou, conforme a palavra do Senhor.