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O Segundo Livro dos Reis é o décimo segundo livro da Bíblia e dá continuidade à história dos reinos de Israel e Judá, cobrindo aproximadamente 300 anos. Inclui os ministérios dos profetas Elias e Eliseu, a queda de Samaria (norte) para a Assíria em 722 a.C., as reformas de Ezequias e Josias em Judá, e finalmente a queda de Jerusalém para a Babilônia em 586 a.C., com o subsequente exílio. É reconhecido como canônico por todas as principais tradições cristãs e pelo judaísmo, onde é parte dos 'Profetas Anteriores' (Nevi'im Rishonim).

2 Reis

Capítulo 6

1

E OS filhos dos profetas disseram a Eliseu: Eis que o lugar em que habitamos diante da tua face nos é estreito.

2

Vamos, pois, até ao Jordão, e tomemos dali cada um uma viga, e façamo-nos ali um lugar, para habitar. E ele disse: Ide.

3

E disse um deles: Serve-te, peço-te, de ir com os teus servos. E ele disse: Eu irei.

4

E foi com eles; e chegaram ao Jordão, e cortaram madeira.

5

E sucedeu que, um deles, derrubando uma viga, o ferro caiu na água; e gritou, e disse: Ah! Meu senhor! Porque era emprestado.

6

E disse o homem de Deus: Onde caiu? E ele mostrou-lhe o lugar. Então cortou um pau, e o lançou ali, e fez flutuar o ferro.

7

E disse: Tira-o. E ele estendeu a sua mão, e tomou-o.

8

E o rei da Síria guerreava contra Israel; e teve conselho com os seus servos, dizendo: Em tal lugar estará o meu acampamento.

9

Porém o homem de Deus enviou ao rei de Israel, dizendo: Guarda-te de passar por tal lugar; porque os sírios ali estão descidos.

10

Enviou, pois, o rei de Israel àquele lugar, que o homem de Deus lhe dissera e de que o avisara; e guardou-se ali, não uma nem duas vezes.

11

Então o coração do rei da Síria se perturbou por esta causa; e chamou os seus servos, e lhes disse: Não me fareis saber quem dos nossos é pelo rei de Israel?

12

Então disse um dos seus servos: Não é assim, ó rei meu senhor; mas o profeta Eliseu, que está em Israel, faz saber ao rei de Israel as palavras que tu falas na tua câmara de dormir.

13

E disse: Ide, e vede onde está, e enviarei, e tomá-lo-ei. Então lhe anunciaram, dizendo: Eis que está em Dotã.

14

E enviou para lá cavalos, e carros, e um grande exército; os quais vieram de noite, e cercaram a cidade.

15

E o moço do homem de Deus se levantou muito cedo e saiu; e eis que um exército cercara a cidade, com cavalos e carros; então o seu moço lhe disse: Ai! Meu senhor! Como havemos de fazer?

16

E ele disse: Não temas; porque mais são os que estão conosco do que os que estão com ele.

17

E Eliseu orou, e disse: Senhor, peço-te que abras os seus olhos, para que veja. E o Senhor abriu os olhos do moço, e viu; e eis que o monte estava cheio de cavalos e carros de fogo em redor de Eliseu.

18

E, como desceram a ele os sírios, Eliseu orou ao Senhor, e disse: Fere a esta gente, peço-te, com cegueira. E feriu-os com cegueira, conforme a palavra de Eliseu.

19

E Eliseu lhes disse: Não é este o caminho, nem esta é a cidade; segui-me, e guiar-vos-ei ao homem que buscais. E guiou-os a Samaria.

20

E sucedeu que, entrando eles em Samaria, disse Eliseu: Senhor, abre os olhos a estes, para que vejam. E o Senhor lhes abriu os olhos, e viram que estavam no meio de Samaria.

21

E disse o rei de Israel a Eliseu, vendo-os: Feri-los-ei, meu pai? Feri-los-ei?

22

Ele, porém, disse: Não os ferirás; feririas tu aqueles que tomasses prisioneiros com a tua espada e com o teu arco? Põe-lhes diante pão e água, para que comam e bebam, e se vão para seu senhor.

23

Então lhes preparou uma grande festa; e comeram e beberam; e despediu-os, e foram para seu senhor; e os sírios não tornaram mais a vir em tropas à terra de Israel.

24

E sucedeu, depois disto, que Ben-Hadade, rei da Síria, ajuntou todo o seu exército, e subiu, e cercou Samaria.

25

E houve grande fome em Samaria, porque eis que a cercaram até que a cabeça de um jumento se vendia por oitenta siclos de prata, e a quarta parte de um cabo de esterco de pombas por cinco siclos de prata.

26

E sucedeu que, passando o rei de Israel pelo muro, uma mulher lhe gritou, dizendo: Acode-me, ó rei meu senhor.

27

E disse ele: Se o Senhor te não acode, de onde te acudirei eu? Da eira ou do lagar?

28

Disse-lhe mais o rei: Que tens? E ela disse: Esta mulher me disse: Dá cá o teu filho, para que o comamos hoje, e amanhã comeremos o meu filho.

29

Cozemos, pois, o meu filho, e o comemos; e eu lhe disse no outro dia: Dá cá o teu filho, para que o comamos; porém escondeu o seu filho.

30

Sucedeu, pois, que, ouvindo o rei as palavras daquela mulher, rasgou as suas vestes, e ia passando pelo muro; e o povo viu que ele trazia pano de saco por dentro sobre a sua carne.

31

E disse ele: Assim Deus me faça e outro tanto, se a cabeça de Eliseu, filho de Safate, hoje ficar sobre ele.

32

E Eliseu estava assentado na sua casa, e os anciãos estavam assentados com ele; então o rei enviou um homem adiante de si; porém, antes que o mensageiro viesse a ele, disse aos anciãos: Vedes como este filho de um homicida mandou tirar a minha cabeça? Olhai, pois, quando o mensageiro vier, fechai a porta, e apertai-o com a porta; não vem após ele o ruído dos pés do seu senhor?

33

Estando ele ainda falando com eles, eis que o mensageiro descia a ele; e disse: Eis que este mal vem do Senhor; que mais esperaria eu do Senhor?

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