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O Segundo Livro das Crônicas é o décimo quarto livro da Bíblia e dá continuidade à história dos reis de Judá, desde o reinado de Salomão (incluindo a construção do Templo) até o decreto de Ciro que permitiu o retorno do exílio babilônico. Com ênfase sacerdotal e levítica, o livro destaca a importância do Templo, do culto e das reformas religiosas, especialmente as de Ezequias e Josias. É reconhecido como canônico por todas as principais tradições cristãs e pelo judaísmo.

2 Crônicas

Capítulo 32

1

DEPOIS destas coisas e desta fidelidade, veio Senaqueribe, rei da Assíria, e entrou em Judá, e acampou contra as cidades fortificadas, e intentou apoderar-se delas.

2

Vendo, pois, Ezequias que Senaqueribe tinha vindo, e que o seu intento era guerrear contra Jerusalém,

3

Teve conselho com os seus príncipes e os seus poderosos, para que se tapassem as águas das fontes que havia fora da cidade; e eles o ajudaram.

4

Porque muito povo se ajuntou, e taparam todas as fontes, como também o ribeiro que corria pelo meio da terra, dizendo: Por que viriam os reis da Assíria e achariam tantas águas?

5

E animou-se, e edificou todo o muro quebrado, e levantou-o até às torres, e outro muro por fora, e fortificou a Milo, na Cidade de Davi, e fez muitas armas e escudos.

6

E pôs capitães de guerra sobre o povo; e ajuntou-os a si na praça da porta da cidade, e falou ao coração deles, dizendo:

7

Esforçai-vos e tende bom ânimo; não temais, nem vos assusteis por causa do rei da Assíria, nem perante toda a multidão que está com ele; porque um há mais conosco do que com ele.

8

Com ele está o braço de carne, mas conosco, o Senhor nosso Deus, para nos ajudar, e para guerrear as nossas guerras. E o povo descansou nas palavras de Ezequias, rei de Judá.

9

Depois disto, Senaqueribe, rei da Assíria, estando sitiando a Laquis e toda a sua força com ele, enviou os seus servos a Jerusalém, a Ezequias, rei de Judá, e a todo o Judá, que estava em Jerusalém, dizendo:

10

Assim diz Senaqueribe, rei da Assíria: Em que confiais vós, para estardes sitiados em Jerusalém?

11

Não persuade Ezequias a vós, para vos entregar à morte, à fome e à sede, dizendo: O Senhor nosso Deus nos livrará da mão do rei da Assíria?

12

Não é Ezequias o que tirou os seus altares e os seus altos, e disse a Judá e a Jerusalém: Perante um só altar vos inclinareis, e sobre ele queimareis incenso?

13

Não sabeis vós o que eu e meus pais temos feito a todos os povos das terras? Porventura os deuses das nações da terra puderam de maneira alguma livrar a sua terra da minha mão?

14

Quem houve entre todos os deuses daquelas nações que meus pais destruíram, que pudesse livrar o seu povo da minha mão, para que o vosso Deus vos possa livrar da minha mão?

15

Agora, pois, não vos engane Ezequias, nem vos persuade assim; nem acrediteis nele; porque nenhum deus de nação alguma nem reino algum pôde livrar o seu povo da minha mão, e da mão de meus pais; quanto menos vos livrará o vosso Deus da minha mão?

16

E ainda mais falaram os seus servos contra o Senhor Deus, e contra Ezequias, seu servo.

17

Escreveu também cartas, para lançar o vitupério contra o Senhor Deus de Israel, e para falar contra ele, dizendo: Como os deuses das nações das terras não livraram o seu povo da minha mão, assim também o Deus de Ezequias não livrará o seu povo da minha mão.

18

E clamaram com grande voz em judaico contra o povo de Jerusalém, que estava sobre o muro, para os atemorizar e para os perturbar; para que assim tomassem a cidade.

19

E falaram do Deus de Jerusalém como dos deuses dos povos da terra, obra de mãos de homens.

20

Porém o rei Ezequias, e o profeta Isaías, filho de Amós, oraram por causa disso, e clamaram ao céu.

21

E o Senhor enviou um anjo, que destruiu a todos os homens valorosos, e aos príncipes, e aos capitães no arraial do rei da Assíria; pelo que voltou com vergonha do rosto à sua terra; e, entrando na casa do seu deus, aqueles que saíram das suas entranhas o mataram ali à espada.

22

Assim o Senhor livrou a Ezequias e aos moradores de Jerusalém da mão de Senaqueribe, rei da Assíria, e da mão de todos; e os guiou de todos os lados.

23

E muitos trouxeram presentes ao Senhor a Jerusalém, e coisas preciosas a Ezequias, rei de Judá; de modo que foi exaltado aos olhos de todas as nações, depois disto.

24

Naqueles dias adoeceu Ezequias mortalmente; e orou ao Senhor, que lhe respondeu, e lhe deu um sinal.

25

Mas Ezequias não correspondeu ao benefício que lhe fora feito, antes se exaltou o seu coração; pelo que veio grande ira sobre ele, e sobre Judá e Jerusalém.

26

Porém Ezequias se humilhou por se ter exaltado o seu coração, ele e os moradores de Jerusalém; de modo que a ira do Senhor não veio sobre eles nos dias de Ezequias.

27

E teve Ezequias riquezas e glória mui grande; e fez para si tesouros de prata, ouro, pedras preciosas, especiarias, escudos, e toda a sorte de vasos preciosos;

28

Como também depósitos das rendas do trigo, mosto e azeite, e cocheiras para toda a sorte de animais, e currais para os gados.

29

Também lhe fez cidades, e possessão de gados e ovelhas em abundância; porque Deus lhe tinha dado riqueza em excesso.

30

Este mesmo Ezequias tapou o manancial superior das águas de Giom, e as fez correr em linha reta para o ocidente da Cidade de Davi; porque Ezequias prosperou em toda a sua obra.

31

Contudo, no negócio dos embaixadores dos príncipes de Babilônia, que lhe enviaram a perguntar pelo prodígio que se fizera na terra, Deus o deixou, para o tentar, para saber tudo o que havia no seu coração.

32

O mais dos atos de Ezequias, e as suas boas obras, eis que estão escritos na visão do profeta Isaías, filho de Amós, e no livro dos reis de Judá e Israel.

33

E Ezequias dormiu com seus pais, e o sepultaram no mais alto dos sepulcros dos filhos de Davi; e todo o Judá e os moradores de Jerusalém lhe fizeram honra na sua morte; e Manassés, seu filho, reinou em seu lugar.

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