O Livro dos Jubileus, também conhecido como 'Pequeno Gênesis' ou 'Kufale', é um texto pseudepígrafo do Antigo Testamento que reescreve a história de Gênesis e parte de Êxodo, com ênfase na divisão do tempo em jubileus e semanas de anos. É canônico apenas na Igreja Ortodoxa Tewahedo Etíope e preservado integralmente em Ge'ez. O livro foi escrito originalmente em hebraico por volta do século II a.C. e é citado pelos Doutores da Igreja Primitiva.
Jubileus
Capítulo 11
No trigésimo quinto Jubileu, na terceira semana, no primeiro ano, Reú tomou para si uma esposa, e seu nome era Ora, a filha de Ur, filho de Quésede, e ela deu à luz a um filho, e ele o chamou pelo nome de Serugue, no sétimo ano dessa semana desse jubileu.
E os filhos de Noé começaram a guerrear uns com os outros, a tomar cativo e a matar um ao outro, e a derramar sangue humano sobre a terra, e a comer sangue, e a construir cidades fortificadas, e muralhas, e torres, e pessoas começaram a se proclamar líderes da nação, e a fundar o início dos reinos, e a ir para a guerra povo contra povo, e nação contra nação, e cidade contra cidade, e todos começaram a fazer o mal, e a adquirir armas, e a ensinar seus filhos à guerra. E eles começaram a capturar cidades, e a vender escravos e escravas.
E Ur, o filho de Quésede, construiu a cidade de Ur dos Caldeus, e a chamou pelo seu nome.
E eles fizeram para si mesmos imagens de fundição, e eles adoraram cada um o ídolo, a imagem de fundição a qual eles fizeram para si mesmos. E eles começaram a fazer imagens de escultura e obras imundas, e espíritos malignos os ajudaram a desviarem-se e cometerem transgressões e impurezas.
E o Príncipe Mastema esforçou-se para fazer tudo isso, e ele enviou outros espíritos, aqueles que foram colocados em suas mãos, para fazer todo tipo de erro e pecado, e todo tipo de transgressão, para corromper e destruir, e para derramar sangue sobre a terra.
Por esta razão ele chamou Serugue de Sérugue. Porque todos passaram a fazer todo tipo de pecado e transgressão.
E ele cresceu e habitou em Ur dos Caldeus, próximo ao pai da mãe de sua esposa, e ele adorou o ídolo, e ele tomou para si uma esposa no trigésimo sexto jubileu, na quinta semana, no primeiro ano, e seu nome era Melca, a filha de Kaber, a filha do irmão de seu pai.
E ela deu à luz a Naor, no primeiro ano dessa semana, e ele cresceu e habitou em Ur dos Caldeus, e seu pai o ensinou a doutrina dos Caldeus, a profetizar e a conjurar de acordo com os sinais do céu.
E ao trigésimo sétimo jubileu na sexta semana, no primeiro ano, ele tomou para si uma esposa, e seu nome era Ijaska, a filha de Nestag dos Caldeus.
E ela deu à luz a Tera no sétimo ano dessa semana.
E o Príncipe Mastema enviou corvos e aves para devorar as sementes que haviam sido plantadas na terra, de modo a destruir a terra, e roubar os filhos dos homens de seu trabalho. Antes que pudessem plantar a semente, os corvos as apanhavam da superfície da terra.
E por essa razão ele chamou seu nome de Tera. Porque os corvos e as aves reduziram-nos à destruição e devoraram suas sementes.
E os anos passaram a serem estéreis, por causa das aves, e elas devoravam todos os frutos das árvores. Era com muito esforço que eles conseguiam salvar uma pequena parte de todas as frutas da terra naqueles dias.
E no trigésimo nono jubileu, na segunda semana, no primeiro ano, Tera tomou para si uma esposa, e seu nome era Edna, a filha de Abrão, filha da irmã de seu pai.
E ao sétimo ano dessa semana ela deu à luz a um filho e ele o chamou pelo nome de Abrão, pelo nome do pai de sua mãe; porque ele havia morrido antes de sua filha ter gerado um filho.
E a criança começou a entender os erros da terra que todos seguiam imagens e imundícies, e seu pai o ensinou a escrita, e ele tinha duas semanas de anos de idade, e ele se separou de seu pai, porque ele não iria adorar ídolo com ele.
E ele começou a orar ao Criador de todas as coisas de modo que Ele pudesse o salvar dos erros dos filhos dos homens, e que sua porção não deveria cair no erro e imundícies e vileza.
E o tempo de semear chegou para o plantio das sementes sobre a terra, e eles todos saíram juntos para proteger suas sementes contra os corvos, e Abrão saiu com eles, e a criança era um rapaz de quatorze anos.
E uma nuvem de corvos veio devorar as sementes, e Abrão correu para encontrá-los antes que eles pousassem no chão, e gritou a eles antes que pousassem no chão para devorar as sementes. Ele disse: "Não desçam! retornem ao lugar de onde vieram!" E eles fizeram a volta.
E ele fez com que a nuvem de corvos fizesse a volta aquele dia sete vezes. E todos os corvos por toda a terra onde Abrão estava não pousaram nem sequer uma vez.
E todos os que estavam com ele por toda a terra viram ele gritar, e os corvos fazerem a volta.
E vieram a ele neste ano todos aqueles que desejavam plantar, e ele saiu com eles até o fim da época do plantio. E eles plantaram seu solo, e naquele ano eles trouxeram grãos suficientes para casa para comerem e se satisfazerem.
E no primeiro ano da sexta semana Abrão ensinou aqueles que fabricavam implementos para os bois, os artífices de madeira, e eles construíram uma embarcação acima do solo, de frente para a armação do arado, a fim de colocar as sementes e a semente caía de lá para a fenda do arado e ficava escondida debaixo da terra, e eles não temeram mais os corvos.
E depois disso eles construíram sobre o solo e todas as armações de arado, e eles semeavam e cultivavam toda a terra, do modo como Abrão os ordenou, e eles não mais temeram aos pássaros.