O Livro dos Jubileus, também conhecido como 'Pequeno Gênesis' ou 'Kufale', é um texto pseudepígrafo do Antigo Testamento que reescreve a história de Gênesis e parte de Êxodo, com ênfase na divisão do tempo em jubileus e semanas de anos. É canônico apenas na Igreja Ortodoxa Tewahedo Etíope e preservado integralmente em Ge'ez. O livro foi escrito originalmente em hebraico por volta do século II a.C. e é citado pelos Doutores da Igreja Primitiva.
Jubileus
Capítulo 13
E Abrão viajou de Arã, e ele levou Sarai, sua esposa, e Ló, filho de seu irmão Arã, para a terra de Canaã. E ele foi até Assur e seguiu para Siquém, e habitou próximo a um elevado carvalho.
E ele viu e eis que a terra era muito agradável da entrada de Hamath até o elevado carvalho.
E o Senhor disse a ele: "Para ti e tua descendência eu te darei esta terra."
E ele construiu um altar lá, e ele ofereceu um holocausto ao Senhor, que havia aparecido a ele.
E ele partiu dali para uma região montanhosa. Betel ficava a oeste e Ai a leste, e montou sua tenda ali.
E ele viu e eis que a terra era bem larga e boa, e crescia de tudo nela, vinhas e figueiras e romãs, carvalhos e carvalhos do mediterrâneo e carvalhos de Moré e oliveiras, e os cedros e ciprestes e árvores do Líbano, e todo tipo de árvores do campo, e havia água nas montanhas.
E ele bem disse ao Senhor que o levou para fora de Ur dos Caldeus, e que o trouxe para esta terra.
E aconteceu que no primeiro ano, na sétima semana, na lua nova do primeiro mês, ele construiu um altar nesta montanha, e clamou ao nome do Senhor: "Tu, o Deus Eterno, és meu Deus."
E ele ofereceu no altar um holocausto ao Senhor para que Ele fosse com ele e não o abandonasse por todos os dias de sua vida.
E ele partiu de lá e foi para o sul, e ele chegou em Hebrom, e Hebrom já havia sido construída naquela época, e ele habitou lá por dois anos, e ele foi para a terra do sul, para Bealote, e havia fome nesta terra.
E Abrão foi ao Egito no terceiro ano da semana, e ele habitou no Egito cinco anos antes de sua esposa ser arrancada dele.
Agora Tânis no Egito naquele tempo havia sido construída sete anos após Hebrom.
E aconteceu que o Faraó apreendeu Sarai, a esposa de Abrão, de modo que o Senhor pestiu o Faraó e sua casa com grandes pragas por causa de Sarai, esposa de Abrão.
E Abrão estava bastante glorificado pelo motivo de suas posses em ovelhas, gado, jumentos, cavalos e camelos, e servos e servas, e prata e ouro em abundância. E Ló, filho de seu irmão, também estava rico.
E o Faraó devolveu Sarai, esposa de Abrão, e ele o despediu da terra do Egito, e ele viajou para o lugar onde ele havia montado sua tenda no começo, o lugar do altar, com Ai a leste e Betel a oeste, e ele bem disse ao Senhor Deus que o havia trazido de volta em paz.
E aconteceu que no quadragésimo primeiro jubileu no terceiro ano da primeira semana, ele retornou a esse lugar e ofereceu um holocausto, e clamou ao nome do Senhor e disse: "Tu, o Deus Altíssimo, és meu Deus para sempre."
E no quarto ano dessa semana Ló partiu dele, e Ló habitou em Sodoma, e os homens de Sodoma eram excessivamente pecadores.
E pesou-lhe no coração que o filho de seu irmão havia se separado dele; porque ele não tinha nenhum filho.
Naquele ano quando Ló foi aprisionado, o Senhor disse a Abrão, depois que Ló havia partido dele, no quarto ano dessa semana: "Levante os olhos do lugar onde estás habitando. para o norte, para o sul e para o oeste e o leste.
Porque toda a terra que tu viste eu ta darei a ti e a seus descendentes para sempre, e eu farei tua descendência como a areia do mar: E ainda que um homem possa contar o pó da terra, ainda tua descendência não poderá ser contada.
Levante ande no seu comprimento e na sua largura e conheça ela toda; porque para ti e tua descendência eu a dou." E Abrão foi para Hebrom e habitou lá.
E neste ano veio Quedorlaomer, rei de Elão, e Amrafel, rei de Sinar, e Arioque, rei de Elasar, e Tergal, rei de nações, e matou o rei de Gomorra. E o rei de Sodoma fugiu, e muitos caíram por feridas no vale de Sidim, próximo ao Mar Salgado.
E eles aprisionaram Sodoma e Adma e Zeboim, e prenderam também Ló, o filho do irmão de Abrão, e tudo o que ele possuía, e foram para Dã.
E um que havia escapado veio e contou a Abrão que o filho de seu irmão havia sido preso.
E Abrão armou seus servos, e de sua descendência o dízimo dos primeiros frutos ao Senhor, e o Senhor ordenou isso como ordenança para sempre que eles deveriam dar aos sacerdotes que servem diante dele, que eles deveriam possuir isso para sempre.
E para esta lei não há limite de dias; porque ele ordenou isto para as gerações para sempre: que eles devem dar ao Senhor o dízimo de tudo, das sementes, do vinho, do azeite, do gado, e das ovelhas.
E ele deu a seus sacerdotes, para que comessem e bebessem com alegria diante dele.
E o rei de Sodoma veio a ele e dobrou-se diante dele e disse: "Nosso senhor Abrão, dê para nós as vidas que tu resgataste, mas deixe ser seu o espólio."
E Abrão disse a ele: "Eu levanto minhas mãos ao Deus Altíssimo, de modo que nem um fio nem um cordão de sandália pegarei do que é teu para que não digas: Eu fiz Abrão rico. Salvo somente o que os jovens homens comerem, e a parte dos homens que forem comigo: Aner, Escol e Manre. Estes devem levar suas porções."