O Livro dos Jubileus, também conhecido como 'Pequeno Gênesis' ou 'Kufale', é um texto pseudepígrafo do Antigo Testamento que reescreve a história de Gênesis e parte de Êxodo, com ênfase na divisão do tempo em jubileus e semanas de anos. É canônico apenas na Igreja Ortodoxa Tewahedo Etíope e preservado integralmente em Ge'ez. O livro foi escrito originalmente em hebraico por volta do século II a.C. e é citado pelos Doutores da Igreja Primitiva.
Jubileus
Capítulo 16
E na lua nova do quarto mês nós aparecemos a Abraão, no carvalho de Moré, e nós conversamos com ele, e anunciamos a ele que um filho seria dado a ele através de Sara, sua esposa.
E Sara riu, porque ela ouviu o que falávamos estas palavras para Abraão, e nós a admoestamos, e ele ficou com medo, e negou que ela tivesse rido por causa daquelas palavras.
E nós contamos a ela o nome de seu filho, e seu nome é ordenado e escrito nas tábuas celestes: Isaque.
E quando nós voltássemos a ela no tempo determinado, ela teria concebido um filho.
E nesse mês o Senhor executou julgamento em Sodoma e Gomorra e Zeboim e toda a região do Jordão, e Ele os queimou com fogo e com enxofre, e os destruiu até os dias de hoje, como já lhe havia dito a respeito de todas as obras deles, que eles eram malignos e excessivamente pecadores, e que eles se contaminavam e cometiam fornicação em sua carne, e praticavam impurezas sobre a terra.
E dessa mesma maneira Deus executará julgamento nos lugares onde eles fizeram de acordo com a sujeira dos Sodomitas, do modo como julgou Sodoma.
Mas Ló nós salvamos; porque Deus lembrou-se de Abraão, e o tirou do meio da destruição.
Mas ele e suas filhas cometeram pecado sobre a terra, como não havia acontecido desde os tempos de Adão até o tempo dele. Porque o homem deitou com suas filhas.
E eis que era ordenado e gravado sobre todos seus descendentes, nas tábuas celestes, para removê-los e exterminá-los, e para executar julgamento sobre eles conforme o julgamento de Sodoma, e não deixar descendente do homem sobre a terra no dia da condenação.
E neste mês Abraão mudou-se de Hebrom, partiu e habitou entre Cades e Sur nas montanhas de Gerar.
E no meio do quinto mês ele se mudou de lá, e habitou no Poço do Juramento.
E no meio do sexto mês o Senhor visitou Sara e fez nela conforme havia falado.
E ela deu à luz a um filho no terceiro mês, no meio do mês, no tempo no qual o Senhor havia falado a Abraão, no festival dos primeiros frutos da colheita, Isaque nasceu.
E Abraão circuncidou seu filho ao oitavo dia: ele foi o primeiro a ser circuncidado de acordo com a aliança que foi ordenada para sempre.
E ao sexto ano da quarta semana nós viemos a Abraão, ao Poço do Juramento, e nós aparecemos perante ele.
E nós retornamos no sétimo mês, e encontramos Sara com uma criança e nós o abençoamos, e nós anunciamos a ele todas as coisas que haviam sido decretadas a respeito dele, que ele não morreria até ter gerado mais seis filhos, e que ele os veria antes de morrer; mas que de Isaque deveria ser chamado seu nome e sua descendência.
E que todos os descendentes de seus filhos seriam Gentios, e contados com os Gentios; mas dos filhos de Isaque um se tornaria santa descendência, e não seria contado entre os Gentios.
Porque ele se tornaria porção do Altíssimo, e toda sua descendência seria posse de Deus, que eles seriam para o Senhor um povo de sua propriedade sobre todas as nações, e que eles se tornariam um reinado e sacerdotes e uma nação santa.
E nós seguimos nosso caminho, e anunciamos a Sara tudo o que tínhamos contado, e eles dois se alegraram com mui grande alegria.
E ele construiu lá um altar ao Senhor que o salvou, e que o havia feito se alegrar na terra de sua peregrinação, e ele celebrou um festival de alegria neste mês por sete dias, próximo ao altar que ele havia construído na Fonte do Juramento.
E ele construiu cabanas para si e seus servos neste festival, e ele foi o primeiro a celebrar a festa dos tabernáculos na terra.
E durante esses sete dias ele trouxe ao altar um holocausto ao Senhor: Dois novilhos, dois carneiros, duas ovelhas e um bode por oferta pelo pecado, que ele possa expiar assim para si e para sua descendência.
E como oferta de agradecimento: sete carneiros, sete cabritos, sete ovelhas, e sete bodes, e suas ofertas de frutas e suas ofertas de bebidas; e ele queimou toda sua gordura no altar, uma oferta escolhida ao Senhor para um doce aroma agradável.
E durante a manhã e tarde ele queimou substâncias aromáticas: incenso, gálbano, estoraque, nardo, mirra, especiarias, e costus; todos esses sete ele ofereceu, amassados e misturados em partes iguais e puras.
E ele celebrou esta festa por sete dias, alegrando-se com todo seu coração e com toda sua alma, ele e todos aqueles que eram de sua casa, e não havia estrangeiros com ele, nem ninguém que não fosse incircunciso.
E ele bem disse a seu criador que o criou em sua geração, porque Ele o criara de acordo com seu bom prazer; porque Ele sabia e notava que dele sairia a planta da justiça para as gerações eternas, e para ele uma descendência santa, de modo que eles deveriam se tornar como Ele que fez todas as coisas.
E ele bem disse e se alegrou, e ele chamou o festival de: O Festival do Senhor. Uma alegria aceitável ao Deus Altíssimo.
E nós o abençoamos para sempre, e toda sua descendência após ele por todas as gerações da terra, porque ele celebrou este festival no tempo correto, de acordo com o testemunho das tábuas celestes.
Por esta razão está ordenado nas tábuas celestes no que se refere a Israel, que eles devem celebrar a festa dos tabernáculos sete dias com alegria, no sétimo mês, aceitável diante do Senhor. Um estatuto eterno pelas gerações todo ano.
E para isso não há limite de dias; porque é ordenado para sempre no que diz respeito a Israel que eles devem celebrá-lo e habitar em cabanas, e colocarão grinaldas em suas cabeças, e tomarão galhos frondosos, e salgueiros do ribeiro.
E Abraão tomou ramos de palmeiras, e os frutos de árvores formosas, e todo dia deu voltas ao redor do altar com os ramos, sete vezes pela manhã, ele louvou e deu graças a seu Deus por tudo em alegria.