O Livro dos Jubileus, também conhecido como 'Pequeno Gênesis' ou 'Kufale', é um texto pseudepígrafo do Antigo Testamento que reescreve a história de Gênesis e parte de Êxodo, com ênfase na divisão do tempo em jubileus e semanas de anos. É canônico apenas na Igreja Ortodoxa Tewahedo Etíope e preservado integralmente em Ge'ez. O livro foi escrito originalmente em hebraico por volta do século II a.C. e é citado pelos Doutores da Igreja Primitiva.
Jubileus
Capítulo 24
E aconteceu após a morte de Abraão que o Senhor abençoou a seu filho Isaque, e ele saiu de Hebrom e foi e habitou no Poço da Visão no primeiro ano da terceira semana deste jubileu por sete anos.
E no primeiro ano da quarta semana uma fome iniciou-se na terra, além da primeira fome que aconteceu nos dias de Abraão.
E Jacó cozinhou um guisado de lentilhas, e Esaú veio dos campos faminto. E ele disse a Jacó seu irmão: "Me dê desse guisado vermelho." E Jacó disse a ele: "Venda-me teu direito de primogenitura e eu te darei três pães, e também um pouco desse guisado de lentilha."
E Esaú disse em seu coração: "Eu morrerei, de que me servirá esse direito de primogenitura?" E ele disse a Jacó: "Eu te darei."
E Jacó disse: "Jure-me hoje", e ele jurou a ele.
E Jacó deu a seu irmão Esaú pão e lentilha, e ele comeu até ficar satisfeito, e Esaú desprezou seu direito de primogenitura; por esta razão o nome de Esaú foi chamado de Edom, por causa do guisado vermelho que Jacó lhe deu por seu direito de primogenitura.
E Jacó se tornou o mais velho, e Esaú decaiu de sua dignidade.
E a fome estava sobre a terra, e Isaque saiu para descer até o Egito no segundo ano desta semana, e foi ao rei dos Filisteus, a Gerar, a Abimeleque.
E o Senhor apareceu e disse a ele: "Não desça ao Egito. Habite na terra que eu te disser, e peregrina nesta terra, e eu estarei contigo e te abençoarei.
Porque para ti e tua descendência eu darei toda esta terra, e eu estabelecerei meu juramento o qual eu jurei a Abraão seu pai, e eu multiplicarei tua descendência como as estrelas do céu, eu darei a teus descendentes toda essa terra.
E em tua descendência serão abençoadas todas as nações da terra, porque teu pai obedeceu minha voz, e guardou minha carga e meus mandamentos, e minhas leis, e minhas ordenanças, e minha aliança. Agora obedeça minha voz e habite nesta terra."
E ele habitou em Gerar três semanas de anos.
E Abimeleque ordenou a respeito dele e a respeito de todos os dele dizendo: "Qualquer homem que tocar nele ou no que é dele certamente morrerá."
E Isaque se tornava forte entre os Filisteus, e ele tinha muitas posses: Novilhos, ovelhas, camelos, jumentos, e um grande número de servos.
E ele semeou na terra dos Filisteus e recolheu o centuplo, e Isaque se tornou muitíssimo grande, e os Filisteus o invejaram.
Agora todos os poços que os servos de Abraão haviam cavado durante a vida de Abraão, os Filisteus haviam encerrado após a morte de Abraão, e entulhado-os com terra.
E Abimeleque disse a Isaque: "Parta de nós, porque tu és muito mais poderoso do que nós", e Isaque partiu dali no primeiro ano da sétima semana, e peregrinou nos vales de Gerar.
E eles cavaram novamente os poços de água que os servos de Abraão, seu pai, haviam cavado e os Filisteus haviam fechado após a morte de Abraão seu pai, e ele chamou seus nomes pelos nomes que Abraão seu pai os havia nomeado.
E os servos de Isaque cavaram um poço no vale, e encontraram água corrente, mas os pastores de Gerar porfiaram com os pastores de Isaque dizendo: "A água é nossa." E Isaque chamou o nome do poço 'Perversidade', porque eles foram perversos conosco.
E eles cavaram um segundo poço, e eles porfiaram por este também, e ele o chamou pelo nome de 'Inimizade'. E ele partiu dali e eles cavaram um outro poço, e por este eles não porfiaram, e ele o chamou pelo nome de 'Lar', e Isaque disse: "Agora o Senhor preparou um lar para nós, e nós aumentamos na terra."
E ele foi de lá para o Poço do Juramento no primeiro ano da primeira semana do quadragésimo quarto jubileu.
E o Senhor apareceu a ele naquela noite, na lua nova do primeiro mês, e disse a ele: "Eu sou o Deus de Abraão teu pai; não temas porque eu sou contigo, e te abençoarei e multiplicarei tua descendência como a areia da terra, por causa de Abraão, meu servo."
E ele construiu um altar lá, o qual Abraão seu pai tinha construído primeiro, e ele clamou ao nome do Senhor, e ele ofereceu sacrifício ao Deus de Abraão seu pai.
E eles cavaram um poço e eles encontraram água corrente.
E os servos de Isaque cavaram um novo poço, mas não encontraram água, e eles foram e contaram a Isaque que eles não haviam encontrado água, e Isaque disse: "Eu jurei, este dia, aos Filisteus que tudo isso nos era dado."
E ele chamou aquele lugar pelo nome de Poço do Juramento; porque lá ele havia jurado a Abimeleque e Auzate, seus companheiros, e a Picol, o comandante do exército.
E Isaque sabia que naquele dia sobre constrangimento ele havia jurado manter a paz com eles.
E Isaque naquele dia amaldiçoou os Filisteus e disse: "Malditos sejam os filisteus no dia de ira e indignação do meio de todas as nações; que Deus faça-os um escárnio e uma maldição e um objeto de ira e indignação nas mãos dos pecadores, os Gentios, e nas mãos de Quitim.
E quem quer que escape da espada de Quitim, que a nação dos justos os extermine em julgamento de debaixo do céu; porque eles serão os inimigos e adversários de meus filhos pelas gerações deles sobre a terra.
E nenhum remanescente será deixado a eles, nenhum será salvo no dia da ira do julgamento; Porque para a destruição e o extermínio e a expulsão da terra e toda a descendência dos Filisteus, E não deve ser deixado para estes captorianos um nome nem uma descendência sobre a terra.
Porque ainda que ele suba ao céu, de lá ele será derrubado. E ainda que ele faça de si grande sobre a terra, de lá ele será arrancado. E ainda que ele se esconda entre as nações, ainda de lá ele será exterminado. E ainda que ele desça até o Inferno, lá também sua condenação será grande, e lá também ele não terá paz.
E se ele for aprisionado pelas mãos daqueles que buscam sua vida, que ele seja morto no caminho, e nem nome nem descendentes serão deixados a ele em toda a terra, porque pela maldição eterna ele será expulso.
E assim está escrito e gravado a respeito dele nas tábuas celestes, para que seja feito com ele no dia do julgamento, de modo que ele seja exterminado da terra.