O Livro de Enoque (1 Enoch) é um texto apocalíptico judaico do período do Segundo Templo, tradicionalmente atribuído a Enoque, bisavô de Noé. Embora excluído do cânon da maioria das tradições cristãs e judaicas, é considerado canônico pela Igreja Ortodoxa Etíope (Tewahedo). Fragmentos aramaicos do livro foram encontrados entre os Manuscritos do Mar Morto em Qumran. A tradução aqui utilizada é uma versão em português baseada na edição acadêmica de R.H. Charles (1917) da Oxford University Press (Clarendon Press).
Enoque
Capítulo 77 — Os Quatro Quadrantes
E o primeiro quadrante chama-se oriente, porque é o primeiro: e o segundo, o sul, porque o Altíssimo descerá ali, sim, ali de uma forma bastante especial descerá Aquele que é bendito para sempre.
E o quadrante ocidental chama-se o diminuído, porque ali todos os luminares do céu definham e descem.
E o quarto quadrante, chamado norte, está dividido em três partes: a primeira delas é para a habitação dos homens: e a segunda contém mares de água, e os abismos e florestas e rios, e escuridão e nuvens; e a terceira parte contém o jardim da justiça.
Vi sete altas montanhas, mais altas do que todas as montanhas que estão na terra: e dali sai a geada, e os dias, estações e anos passam.
Vi sete rios na terra maiores do que todos os rios: um deles vindo do ocidente despeja as suas águas no Grande Mar.
E estes dois vêm do norte para o mar e despejam as suas águas no Mar Eritreu no oriente.
E os restantes quatro saem no lado do norte para o seu próprio mar, dois deles para o Mar Eritreu, e dois para o Grande Mar e descarregam-se ali [e alguns dizem: para o deserto].
Sete grandes ilhas vi no mar e no continente: duas no continente e cinco no Grande Mar.