O Livro de Esdras é o décimo quinto livro da Bíblia e narra o retorno dos exilados judeus da Babilônia a Jerusalém, sob a liderança de Zorobabel e, posteriormente, do escriba Esdras. O documento descreve a reconstrução do Templo, os decretos de Ciro, Dario e Artaxerxes, e as reformas religiosas implementadas por Esdras para restaurar a obediência à Lei de Moisés. É reconhecido como canônico por todas as principais tradições cristãs e pelo judaísmo.
1 Esdras (Esdras)
Capítulo 9
ACABADAS, pois, estas coisas, vieram ter comigo os príncipes, dizendo: O povo de Israel, e os sacerdotes, e os levitas não se separaram dos povos destas terras, das abominações dos cananeus, dos heteus, dos ferezeus, dos jebuseus, dos amonitas, dos moabitas, dos egípcios e dos amorreus.
Porque tomaram das suas filhas para si e para seus filhos, e assim se misturou a santa linhagem com os povos destas terras; e até a mão dos príncipes e dos governadores foi a primeira nesta transgressão.
Ouvindo, pois, eu esta palavra, rasguei a minha veste e o meu manto, e arranquei os cabelos da minha cabeça e da minha barba, e assentei-me atônito.
Então se ajuntaram a mim todos os que tremiam das palavras do Deus de Israel, por causa da transgressão dos do cativeiro; porém eu fiquei assentado atônito até ao sacrifício da tarde.
E, perto do sacrifício da tarde, me levantei da minha aflicção, havendo já rasgado a minha veste e o meu manto; e caí de joelhos, e estendi as minhas mãos para o Senhor meu Deus,
E disse: Meu Deus! Estou confuso e envergonhado, para levantar a ti, meu Deus, o meu rosto; porque as nossas iniqüidades se multiplicaram sobre a nossa cabeça, e a nossa culpa cresceu até aos céus.
Desde os dias de nossos pais até ao dia de hoje estamos em grande culpa; e, por causa das nossas iniqüidades, nós, os nossos reis e os nossos sacerdotes temos sido entregues nas mãos dos reis das terras, à espada, ao cativeiro, à rapina e à confusão do rosto, como hoje se vê.
Agora, pois, por um pequeno momento se nos fez a graça do Senhor nosso Deus, para nos deixar alguns que escapassem, e para nos dar uma estaca no seu santo lugar; e para nos alumiar os olhos, ó Deus nosso, e para nos dar um pouco de vida na nossa servidão.
Porque servos somos, porém na nossa servidão não nos desamparou o nosso Deus; antes estendeu sobre nós a sua benignidade perante os reis da Pérsia, para nos dar vida, para exaltarmos a casa do nosso Deus, e para restaurar as suas assolações, e para nos dar uma parede em Judá e em Jerusalém.
Agora, pois, ó nosso Deus, que diremos depois disto? Porque deixamos os teus mandamentos,
Que mandaste pelo ministério de teus servos, os profetas, dizendo: A terra que haveis de possuir é terra imunda pelas imundícias dos povos destas terras, pelas suas abominações com que a encheram de lodo de um ao outro extremo.
Agora, pois, não deis vossas filhas a seus filhos, e não tomeis suas filhas para vossos filhos; nem procureis nunca a sua paz nem o seu bem; para que sejais fortes, e comais o bem da terra, e a deixeis por herança a vossos filhos para sempre.
E depois de tudo o que nos tem sucedido por nossas más obras, e pela nossa grande culpa (ainda que tu, ó nosso Deus, impediste a nossa iniqüidade e não nos deste o castigo merecido), e nos deste um tal livramento como este,
Tornaremos nós outra vez a violar os teus mandamentos e a aparentar-nos com estes povos abomináveis? Não te indignarias tu contra nós até de todo nos consumires, de modo que não ficasse remanescente nem quem escapasse?
Ó Senhor Deus de Israel, justo és, porque ficamos qual hoje vemos, libertos; eis que estamos diante de ti com a nossa culpa; porque ninguém há que possa estar diante de ti por causa disto.