O Livro de Neemias é o décimo sexto livro da Bíblia e dá continuidade à narrativa do retorno do exílio babilônico, focando na reconstrução dos muros de Jerusalém sob a liderança de Neemias, copeiro do rei Artaxerxes. O livro também descreve as reformas religiosas e sociais implementadas por Neemias em conjunto com Esdras, incluindo a leitura pública da Lei e a renovação da aliança. É reconhecido como canônico por todas as principais tradições cristãs e pelo judaísmo.
1 Esdras (Neemias)
Capítulo 2
E SUCEDEU no mês de Nisã, no ano vigésimo do rei Artaxerxes, que estava posto vinho diante dele, e eu tomei o vinho e o dei ao rei; porém eu nunca estivera triste diante dele.
E o rei me disse: Por que está triste o teu rosto, pois não estás doente? Não é isto senão tristeza de coração. Então temi sobremaneira.
E disse ao rei: Viva o rei para sempre! Como não estaria triste o meu rosto, estando a cidade, o lugar dos sepulcros de meus pais, assolada, e as suas portas, consumidas pelo fogo?
E o rei me disse: Que me pedes? Então orei ao Deus dos céus.
E disse ao rei: Se é do agrado do rei, e se o teu servo é aceito em tua presença, peço-te que me envies a Judá, à cidade dos sepulcros de meus pais, para que eu a reedifique.
Então o rei me disse, estando a rainha assentada junto a ele: Quanto durará a tua viagem, e quando voltarás? E pareceu bem ao rei enviar-me, e eu lhe dei certo tempo.
E eu disse ao rei: Se é do agrado do rei, dêem-se-me cartas para os governadores dalém do rio, para que me permitam passar até que chegue a Judá;
Como também uma carta para Asafe, guarda da mata do rei, para que me dê madeira para as portas do palácio da casa, e para o muro da cidade, e para a casa que eu houver de entrar. E o rei mas deu, segundo a boa mão de Deus sobre mim.
Então fui aos governadores dalém do rio, e dei-lhes as cartas do rei. Ora, o rei tinha enviado comigo capitães do exército e cavaleiros.
O que ouvindo Sambalate, o horonita, e Tobias, o servo amonita, lhes pareceu muito mal, que alguém viesse a procurar o bem dos filhos de Israel.
E cheguei a Jerusalém, e estive ali três dias.
E de noite me levantei, eu e poucos homens comigo, e não declarei a ninguém o que o meu Deus me pôs no coração para fazer em Jerusalém; nem havia comigo animal algum, senão o que eu montava.
E de noite saí pela porta do vale, em direção à fonte do dragão, e à porta do monturo; e contemplei os muros de Jerusalém, que estavam fendidos, e as suas portas, que tinham sido consumidas pelo fogo.
E passei à porta da fonte, e ao tanque do rei; porém não havia lugar por onde pudesse passar o animal que eu montava.
Então de noite subi pelo ribeiro, e contemplei o muro; e passando adiante, voltei e entrei pela porta do vale; assim voltei.
E não sabiam os magistrados onde eu fora, nem o que eu fazia; porque até então não tinha declarado coisa alguma, nem aos judeus, nem aos sacerdotes, nem aos nobres, nem aos magistrados, nem aos mais que faziam a obra.
Então lhes disse: Bem vedes vós o mal em que estamos, que Jerusalém está assolada, e as suas portas queimadas a fogo; vinde, pois, edifiquemos o muro de Jerusalém, e não estejamos mais em opróbrio.
Então lhes declarei como a mão do meu Deus me fora favorável, e também as palavras do rei, que ele me tinha dito. E disseram: Levantemo-nos e edifiquemos. E esforçaram as suas mãos para o bem.
Porém ouvindo isto Sambalate, o horonita, e Tobias, o servo amonita, e Gesém, o árabe, zombaram de nós, e nos desprezaram, e disseram: Que é isto que fazeis? Porventura quereis rebelar-vos contra o rei?
Então lhes respondi, e disse: O Deus dos céus é que nos fará prosperar; e nós, seus servos, nos levantaremos e edificaremos; porém vós não tendes parte, nem justiça, nem memória em Jerusalém.