O Livro de Neemias é o décimo sexto livro da Bíblia e dá continuidade à narrativa do retorno do exílio babilônico, focando na reconstrução dos muros de Jerusalém sob a liderança de Neemias, copeiro do rei Artaxerxes. O livro também descreve as reformas religiosas e sociais implementadas por Neemias em conjunto com Esdras, incluindo a leitura pública da Lei e a renovação da aliança. É reconhecido como canônico por todas as principais tradições cristãs e pelo judaísmo.
1 Esdras (Neemias)
Capítulo 4
SUCEDEU, pois, que, ouvindo Sambalate que edificávamos o muro, se indignou, e se irritou grandemente, e escarneceu dos judeus.
E falou na presença de seus irmãos e do exército de Samaria, e disse: Que fazem estes fracos judeus? Permitir-se-á isto? Farão sacrifícios? Acabarão num só dia? Reanimarão eles as pedras dos montões de caliça, que estão queimadas?
Também Tobias, o amonita, estava junto dele, e disse: Ainda que edifiquem, se uma raposa subir, até derrubará o seu muro de pedra.
Ouve, ó nosso Deus, que somos tão desprezados; e torna o opróbrio deles sobre a sua cabeça, e dá-os por presa na terra do cativeiro.
E não cubras a sua iniqüidade, nem se risque o seu pecado de diante de ti; porque te indignaram na presença dos edificadores.
Assim edificamos o muro, e todo o muro se fechou até à metade; porque o povo tinha ânimo para trabalhar.
Sucedeu, porém, que, ouvindo Sambalate, e Tobias, e os árabes, e os amonitas, e os asdoditas, que a reparação dos muros de Jerusalém ia subindo, e que as aberturas já se começavam a tapar, muito se indignaram.
E conspiraram todos juntos para virem guerrear contra Jerusalém, e para suscitar uma perturbação contra ela.
Porém nós oramos ao nosso Deus, e pusemos uma guarda contra eles de dia e de noite, para nos defendermos deles.
E disse Judá: Já tem faltado a força aos carregadores, e ainda há muito pó; de maneira que não podemos edificar o muro.
E os nossos adversários disseram: Não o saberão, nem verão, até que entremos no meio deles, e os matemos, e façamos cessar a obra.
E sucedeu que, vindo os judeus que habitavam entre eles, dez vezes nos disseram: De todos os lugares, voltai para nós.
Por isso pus nos lugares mais baixos, atrás do muro, e nos lugares abertos, o povo, segundo as suas famílias, com as suas espadas, com as suas lanças, e com os seus arcos.
E olhei, e levantei-me, e disse aos nobres, e aos magistrados, e ao resto do povo: Não os temais; lembrai-vos do Senhor, grande e tremendo, e pelejai pelos vossos irmãos, vossos filhos, vossas filhas, vossas mulheres e vossas casas.
E sucedeu que, quando os nossos inimigos ouviram que já o sabíamos, Deus desfez o seu conselho; e voltámos todos ao muro, cada um à sua obra.
E sucedeu que, desde aquele dia, metade dos meus moços trabalhava na obra, e a outra metade deles armava-se de lanças, de escudos, de arcos e de couraças; e os príncipes estavam por detrás de toda a casa de Judá.
Os que edificavam o muro, e os que transportavam as cargas, os que carregavam, cada um com uma das mãos fazia a obra, e com a outra tinha a arma.
E os edificadores cada um tinha a sua espada cingida aos lombos, e edificavam; e o que tocava a trombeta estava junto de mim.
Então disse aos nobres, e aos magistrados, e ao resto do povo: Grande e extensa é esta obra, e nós estamos apartados sobre o muro, longe uns dos outros.
No lugar onde ouvirdes o som da trombeta, ali ajuntai-vos a nós; o nosso Deus pelejará por nós.
Assim andávamos na obra; e metade deles tinha as lanças desde a subida da alva até ao sair das estrelas.
Também naquele tempo disse ao povo: Cada um com o seu moço fique dentro de Jerusalém, para que de noite nos sirvam de guarda, e de dia para a obra.
E nem eu, nem meus irmãos, nem meus moços, nem os homens de guarda que me seguiam, largávamos as nossas vestes; cada um andava com a sua arma, e com a sua água.