Ezra Sutu'el é o nome etíope para o livro conhecido no Ocidente como 4 Esdras (Vulgata) ou 2 Esdras 3-14 (protestante), e 3 Esdras na tradição eslava e ortodoxa russa [citation:4][citation:6]. O nome 'Sutu'el' é a forma etíope de 'Shealtiel', filho do rei Joaquim, a quem o texto atribui a autoria. O livro é um apocalipse judaico composto provavelmente no final do século I d.C., após a destruição do Segundo Templo em 70 d.C. O autor original escreveu em hebraico ou aramaico, mas o texto grego se perdeu, sobrevivendo primariamente em traduções latinas, etíopes, siríacas, armênias e árabes [citation:6]. Na Igreja Ortodoxa Etíope, é considerado canônico e faz parte do Antigo Testamento [citation:1][citation:3].
Ezra Sutu'el
Capítulo 11 — A Visão da Mulher que Chora
E aconteceu que, enquanto eu estava em campo aberto, eu vi uma mulher chorando e gemendo amargamente.
Eu me aproximei dela e lhe perguntei: Por que choras? E por que estás angustiada?
Ela me respondeu: Deixa-me, Senhor, para que eu possa chorar a minha desgraça, porque estou aflita.
Eu disse: Dize-me, o que te aconteceu?
Ela disse: Eu era estéril e não tinha filhos, mas depois de trinta anos, o Altíssimo me deu um filho.
Eu o criei com muito cuidado, mas quando ele cresceu e tomou uma esposa, ele morreu.
Por isso eu clamei ao Altíssimo e entrei nesta cidade para chorar a minha perda.
Então eu a repreendi e disse: Ó mulher tola, não vês a glória de Sião? Não vês que Jerusalém também está de luto?
Enquanto eu falava, o seu rosto brilhou, e ela se transformou em uma cidade edificada.
E eu clamei: Este é Sião, a cidade santa, que estava chorando e agora está edificada.