O Livro de Ester é reconhecido como canônico pelas tradições judaica e protestante, sendo considerado deuterocanônico pelas tradições católica e ortodoxa (que incluem adições gregas). Na Bíblia Hebraica, está posicionado entre os Ketuvim (Escritos), sendo lido durante a festa de Purim. O livro narra a história de Ester, uma jovem judia que se torna rainha da Pérsia e, com a ajuda de seu primo Mardoqueu, frustra o plano do primeiro-ministro Hamã de exterminar todos os judeus do império persa.
Ester
Capítulo 2 — Ester É Escolhida Como Rainha
Depois destas coisas, apaziguada a ira do rei Assuero, lembrou-se de Vasti, e do que fizera, e do que se tinha decretado contra ela.
Então, disseram os servos do rei que ministravam perante ele: Busquem-se para o rei moças virgens, formosas à vista.
E ponha o rei oficiais em todas as províncias do seu reino, que ajuntem todas as moças virgens, formosas à vista, na cidadela de Susã, na casa das mulheres, ao cargo de Hegai, eunuco do rei, guarda das mulheres; e dêem-se-lhes os seus enfeites.
E a moça que agradar ao rei seja rainha em lugar de Vasti; e esta palavra pareceu bem aos olhos do rei, e fez assim.
Havia um homem judeu na cidadela de Susã, cujo nome era Mardoqueu, filho de Jair, filho de Simei, filho de Quis, benjamita,
que fora transportado de Jerusalém com os cativos que foram levados com Jeconias, rei de Judá, o qual transportara Nabucodonosor, rei da Babilônia.
E criara Hadassa (que é Ester), filha de seu tio, porque não tinha pai nem mãe; e a moça era formosa de porte e bem parecida; e, morrendo seu pai e sua mãe, Mardoqueu a tomara por sua filha.
Sucedeu, pois, que, divulgada a ordem do rei e o seu decreto, e ajuntando-se muitas moças na cidadela de Susã, aos cuidados de Hegai, também Ester foi levada à casa do rei, ao cuidado de Hegai, guarda das mulheres.
E a moça agradou a Hegai, e alcançou a sua benevolência; e apressou-se a dar-lhe os seus enfeites e os seus quinhões, como também sete moças de respeito da casa do rei; e a pôs com as suas moças no melhor lugar da casa das mulheres.
Ester não declare o seu povo e a sua parentela, porque Mardoqueu lhe tinha ordenado que não o declarasse.
E cada dia Mardoqueu passeava diante do pátio da casa das mulheres, para saber como estava Ester e o que lhe sucedia.
E, chegando o tempo de cada moça vir ao rei Assuero, depois que fora tratada já seis meses por lei das mulheres (que era tanto o tempo do seu tratamento de unção com óleo de mirra como seis meses, e seis meses com especiarias e aromas, e o tratamento de unção das mulheres),
então, desta maneira vinha a moça ao rei; e tudo o que ela dizia se lhe dava, para vir com ela da casa das mulheres até à casa do rei.
À tarde, entrava ela, e pela manhã, tornava para a segunda casa das mulheres, ao cuidado de Saasgaz, eunuco do rei, guarda das concubinas; não tornava mais ao rei, salvo se o rei a desejasse, e fosse chamada por nome.
E, chegada a vez de Ester, filha de Abiail, tio de Mardoqueu, que a tomara por sua filha, para vir ao rei, cousa nenhuma pediu, senão o que lhe disse Hegai, eunuco do rei, guarda das mulheres; e Ester alcançava graça aos olhos de todos quantos a viam.
Ester foi levada ao rei Assuero, ao seu palácio real, no décimo mês, que é o mês de tebete, no sétimo ano do seu reinado.
E o rei amou a Ester mais do que a todas as mulheres, e ela alcançou perante ele graça e benevolência mais do que todas as virgens; e pôs-lhe a coroa real na sua cabeça e a fez rainha, em lugar de Vasti.
Então, o rei deu um grande banquete a todos os seus príncipes e aos seus servos, banquete por causa de Ester; e fez alívio às províncias e deu presentes, segundo a generosidade do rei.
E, ajuntando-se as virgens pela segunda vez, então, Mardoqueu estava assentado à porta do rei.
Ester, pois, ainda não tinha declarado a sua parentela e o seu povo, como Mardoqueu lhe ordenara; porque Ester cumpria a ordem de Mardoqueu, como quando fora criada por ele.
Naqueles dias, assentando-se Mardoqueu à porta do rei, dois eunucos do rei, os guardas da porta, Bigtá e Teres, se indignaram e procuraram pôr as mãos sobre o rei Assuero.
E o negócio veio ao conhecimento de Mardoqueu, que o fez saber à rainha Ester; e Ester o disse ao rei em nome de Mardoqueu.
E, inquirindo-se o negócio, e achando-se ser assim, ambos foram enforcados numa forca; e isso foi escrito no livro das crônicas perante o rei.