O Livro de Ester é reconhecido como canônico pelas tradições judaica e protestante, sendo considerado deuterocanônico pelas tradições católica e ortodoxa (que incluem adições gregas). Na Bíblia Hebraica, está posicionado entre os Ketuvim (Escritos), sendo lido durante a festa de Purim. O livro narra a história de Ester, uma jovem judia que se torna rainha da Pérsia e, com a ajuda de seu primo Mardoqueu, frustra o plano do primeiro-ministro Hamã de exterminar todos os judeus do império persa.
Ester
Capítulo 8 — O Decreto do Rei em Favor dos Judeus
Naquele mesmo dia, deu o rei Assuero à rainha Ester a casa de Hamã, o adversário dos judeus; e Mardoqueu veio perante o rei, porque Ester lhe tinha declarado o que ele era.
E o rei tirou o seu anel, que tinha tomado de Hamã, e o deu a Mardoqueu; e Ester pôs a Mardoqueu sobre a casa de Hamã.
E falou Ester outra vez perante o rei, e se lhe lançou aos seus pés, e chorou, e lhe suplicou que revogasse a maldade de Hamã, o agagita, e o seu intento, que ele tinha projetado contra os judeus.
E o rei estendeu para Ester o cetro de ouro; e Ester se levantou e se pôs em pé diante do rei.
E disse: Se bem parecer ao rei, e se achei graça perante ele, e se esta coisa for reta diante do rei, e se eu lhe agrado aos seus olhos, escreva-se para que se revogue as cartas do intento de Hamã, filho de Hamedata, o agagita, as quais ele escreveu para destruir os judeus que há em todas as províncias do rei;
porque como poderei ver o mal que sobrevirá ao meu povo? E como poderei ver a destruição da minha parentela?
Então, disse o rei Assuero à rainha Ester e a Mardoqueu, o judeu: Eis que dei a Ester a casa de Hamã, e a ele enforcaram numa forca, porquanto tinha estendido a mão contra os judeus.
Escrevei, pois, a favor dos judeus, como bem parecer aos vossos olhos, no nome do rei, e selai com o anel do rei; porque a carta que se escreve no nome do rei e com o anel do rei se sela não se pode revogar.
Então, chamaram os escrivães do rei, naquele tempo, no terceiro mês, que é o mês de sivã, aos vinte e três dias; e, conforme a tudo quanto Mardoqueu ordenou, se escreveu aos judeus, e aos sátrapas, e aos governadores, e aos príncipes das cento e vinte e sete províncias, da Índia até Etiópia, a cada província segundo a sua escrita, e a cada povo segundo a sua língua, também aos judeus segundo a sua escrita e segundo a sua língua.
E escreveu no nome do rei Assuero e selou com o anel do rei; e enviou as cartas por correios a cavalo, montados em ginetes, criados de raça,
nas quais o rei concedia aos judeus que havia em cada cidade, que se ajuntassem e se pusessem em defesa da sua vida, para destruírem, matarem e aniquilarem todas as forças do povo e da província que os assaltasse, crianças e mulheres, e para saquearem os seus bens,
num mesmo dia, em todas as províncias do rei Assuero, no dia treze do duodécimo mês, que é o mês de adar.
Uma cópia da carta, que continha o decreto que se havia de publicar em todas as províncias, foi divulgada entre todos os povos, para que os judeus se preparassem para aquele dia, a fim de se vingarem dos seus inimigos.
Os correios, montados em ginetes de raça, saíram apressados pela palavra do rei; e o decreto se publicou na cidadela de Susã.
Então, Mardoqueu saiu da presença do rei com vestes reais de azul e branco, como também com uma grande coroa de ouro, e com um manto de linho fino e de púrpura; e a cidade de Susã jubilou e se alegrou.
E para os judeus houve luz, e alegria, e gozo, e honra.
E em cada província, e em cada cidade, onde chegava a palavra do rei e o seu decreto, havia entre os judeus alegria e gozo, banquetes e dias de folguedo; e muitos dos povos da terra se fizeram judeus, porque o temor dos judeus tinha caído sobre eles.