O Livro de Ester é reconhecido como canônico pelas tradições judaica e protestante, sendo considerado deuterocanônico pelas tradições católica e ortodoxa (que incluem adições gregas). Na Bíblia Hebraica, está posicionado entre os Ketuvim (Escritos), sendo lido durante a festa de Purim. O livro narra a história de Ester, uma jovem judia que se torna rainha da Pérsia e, com a ajuda de seu primo Mardoqueu, frustra o plano do primeiro-ministro Hamã de exterminar todos os judeus do império persa.
Ester
Capítulo 9 — Os Judeus Vingam-se de Seus Inimigos e Instituem Purim
E no duodécimo mês, que é o mês de adar, no seu dia treze, quando a palavra do rei e o seu decreto estava para se executar, no dia em que os inimigos dos judeus esperavam assenhorear-se deles, sucedeu o contrário, porque os judeus se assenhorearam dos seus aborrecedores.
E os judeus se ajuntaram nas suas cidades, em todas as províncias do rei Assuero, para estenderem a mão sobre aqueles que procuravam o seu mal; e não houve quem lhes resistisse, porque o temor deles caíra sobre todos os povos.
E todos os príncipes das províncias, e os sátrapas, e governadores, e os oficiais do rei, ajudavam os judeus; porque o temor de Mardoqueu tinha caído sobre eles.
Porque Mardoqueu era grande na casa do rei, e a sua fama corria por todas as províncias, pois ele se engrandecia mais e mais.
E os judeus feriram a todos os seus inimigos, com ferida de espada, e com matança e destruição; e fizeram dos seus aborrecedores o que quiseram.
E na cidadela de Susã, os judeus mataram e destruíram quinhentos homens.
Como também a Parsandata, e a Dalfom, e a Aspata,
e a Porata, e a Adalia, e a Aridata,
e a Parmasta, e a Arisai, e a Aridai, e a Vaisata,
os dez filhos de Hamã, filho de Hamedata, o adversário dos judeus, mataram; porém ao despojo não estenderam a sua mão.
Naquele mesmo dia, veio perante o rei a conta dos mortos, que havia na cidadela de Susã.
E disse o rei à rainha Ester: Na cidadela de Susã, os judeus mataram e destruíram quinhentos homens e os dez filhos de Hamã; nas outras províncias do rei que teriam feito? Qual é, pois, a tua petição? E dar-se-te-á; e qual é ainda o teu requerimento? E se fará.
Então, disse Ester: Se bem parecer ao rei, conceda-se que os judeus que estão em Susã façam também amanhã conforme o decreto de hoje e enforquem os dez filhos de Hamã numa forca.
E o rei o disse que assim se fizesse; e deu-se o decreto em Susã, e enforcaram os dez filhos de Hamã.
E os judeus que se achavam em Susã se ajuntaram também no dia catorze do mês de adar, e mataram em Susã trezentos homens; porém ao despojo não estenderam a sua mão.
E os outros judeus, que estavam nas províncias do rei, se ajuntaram, e se puseram em defesa da sua vida, e tiveram descanso dos seus inimigos, e mataram setenta e cinco mil dos seus aborrecedores; porém ao despojo não estenderam a sua mão.
E isto fizeram no dia treze do mês de adar; e no dia catorze do mesmo mês descansaram e fizeram dele dia de banquetes e de alegria.
Porém os judeus que estavam em Susã se ajuntaram no dia treze e no dia catorze do mesmo mês; e no dia quinze do mesmo mês descansaram e fizeram dele dia de banquetes e de alegria.
Por isso, os judeus das aldeias, que habitam nas cidades das províncias, fazem o dia catorze do mês de adar festivo, com alegria e banquetes, e dia de folguedo, e e repartem porções uns aos outros.
E Mardoqueu escreveu estas coisas e mandou cartas a todos os judeus que havia em todas as províncias do rei Assuero, tanto aos próximos como aos distantes,
ordenando-lhes que comemorassem o dia catorze do mês de adar e o dia quinze do mesmo mês, cada ano,
como os dias em que os judeus tiveram descanso dos seus inimigos, e o mês que se lhes mudou de tristeza em alegria, e de luto em dia de folguedo; e que os fizessem dias de banquetes e de alegria, e de repartir porções uns aos outros, e de dar presentes aos pobres.
Assim, os judeus aceitaram o que tinham começado a fazer, e o que Mardoqueu lhes tinha escrito;
porque Hamã, filho de Hamedata, o agagita, adversário de todos os judeus, tinha intentado contra os judeus para os destruir e lançara Pur, isto é, a sorte, para os desbaratar e destruir.
Mas, indo Ester à presença do rei, ele deu ordem por carta, para que o maligno intento, que ele projetara contra os judeus, recaísse sobre a sua cabeça; e o enforcaram a ele e a seus filhos numa forca.
Por isso, àqueles dias chamaram Purim, do nome Pur; e, por causa de todas as palavras desta carta, e pelo que viram acerca disto e do que lhes tinha sucedido,
os judeus ordenaram e tomaram sobre si, e sobre a sua semente, e sobre todos os que se agregassem com eles, que não deixariam de celebrar estes dois dias, segundo o que se lhes escreveu, e segundo o seu tempo determinado, cada ano;
e que estes dias seriam lembrados e comemorados em todas as gerações, famílias, províncias e cidades; e que estes dias de Purim não deixariam de ser celebrados pelos judeus, e a sua memória nunca se extinguiria entre a sua semente.
E a rainha Ester, filha de Abiail, e Mardoqueu, o judeu, escreveram com toda a força, para confirmar esta segunda carta de Purim.
E enviaram cartas a todos os judeus, às cento e vinte e sete províncias do reino de Assuero, com palavras de paz e de verdade,
para confirmarem estes dias de Purim no seu tempo determinado, como o judeu Mardoqueu e a rainha Ester lhes tinha ordenado, e como eles tinham ordenado para si e para a sua semente, acerca do jejum e do seu clamor.
E, pela ordem de Ester, se confirmaram estas coisas de Purim, e se escreveu no livro.