O livro de Jó é considerado canônico por todas as tradições cristãs e pelo judaísmo. Faz parte dos livros poéticos e sapienciais do Antigo Testamento. A versão utilizada é a Almeida Revista e Corrigida (ARC), fiel ao Texto Massorético Hebraico.
Jó
Capítulo 13 — Jó censura os amigos, confia na sua justiça e se resigna a Deus
Eis que tudo isto viram os meus olhos; e os meus ouvidos o ouviram e entenderam.
Como vós o sabeis, também o sei eu; não vos sou inferior.
Mas eu falarei ao Todo-Poderoso, e quero contender com Deus.
Porque vós sois inventores de mentiras; e vós todos, médicos de nenhum valor.
Tomara que vos calásseis de todo; que isso vos seria por sabedoria.
Ouvi, peço-vos, a minha argüição, e atendei aos argumentos dos meus lábios.
Porventura, falaríeis enganos por Deus? E por ele diríeis mentiras?
Fareis acepção da sua pessoa? Ou contendereis por Deus?
Porventura, vos seria bom, se ele vos examinasse? Ou zombareis dele, como se zomba de um homem?
Certamente, vos repreenderá, se em oculto fizerdes acepção de pessoas.
A sua excelência não vos amedrontará? E o seu terror não cairá sobre vós?
As vossas memórias são como cinza; as vossas alturas, como alturas de lodo.
Calai-vos perante mim, e falarei eu; e venha sobre mim o que vier.
Por que razão tomo a minha carne com os meus dentes? E ponho a minha vida na minha mão?
Ainda que ele me mate, nele esperarei; todavia, os meus caminhos defenderei diante dele.
Também isso será a minha salvação; porque o ímpio não virá perante ele.
Ouvi atentamente as minhas palavras, e com os vossos ouvidos, a minha declaração.
Eis aqui, agora, ordenei a minha causa; sei que serei achado justo.
Quem é o que contenderá comigo? Porque, se agora eu me calasse, logo expiraria.
Duas coisas somente me faze, e então não me esconderei do teu rosto:
Desvia a tua mão para longe de mim; e não me amedronte o teu terror.
Chama, pois, e eu responderei; ou falarei eu, e tu me responde.
Quantas iniqüidades e pecados tenho eu? Faz-me saber a minha transgressão e o meu pecado.
Por que escondes o teu rosto, e me tens por teu inimigo?
Porventura, quebrantarás a folha arrebatada pelo vento? E perseguirás a pragana seca?
Por que escreves contra mim coisas amargas e me fazes herdar os erros da minha mocidade?
Também pões os meus pés no cepo, e observas todas as minhas veredas, e traças limites aos meus pés;
E ele, como podridão, se consome; e, como vestido que a traça come.