O livro de Jó é considerado canônico por todas as tradições cristãs e pelo judaísmo. Faz parte dos livros poéticos e sapienciais do Antigo Testamento. A versão utilizada é a Almeida Revista e Corrigida (ARC), fiel ao Texto Massorético Hebraico.
Jó
Capítulo 38 — Deus falou a Jó do redemoinho, manifestando o seu poder incompreensível
Então, o Senhor respondeu a Jó de um redemoinho, e disse:
Quem é este que escurece o conselho com palavras sem conhecimento?
Agora cinge os teus lombos como um homem; e perguntar-te-ei, e tu me ensinarás.
Onde estavas tu, quando eu fundava a terra? Faze-mo saber, se tens inteligência.
Sabes tu quem lhe pôs as medidas? Ou quem estendeu sobre ela o cordel?
Sobre que estão fundadas as suas bases? Ou quem assentou a sua pedra angular,
Quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus jubilavam?
Ou quem encerrou o mar com portas, quando trasbordando saiu da madre;
Quando eu pus as nuvens por sua veste e a escuridão por suas faixas;
Quando eu lhe tracei os meus limites, e lhe pus portas e ferrolhos,
E disse: Até aqui virás e não mais adiante; e aqui se parará a arrogância das tuas ondas?
Ou desde os teus dias ordenaste a madrugada, ou mostraste à alva o seu lugar;
Para que pegasse nas extremidades da terra, e os ímpios fossem sacudidos dela?
Ela se transforma como o barro do selo; e se apresenta vestida como de um vestido.
A sua luz se retira dos ímpios, e o braço alto se quebranta.
Ou entraste tu até às profundezas do mar ou andaste pelos esquadrinhamentos do abismo?
Ou descobriram-se-te as portas da morte, ou viste as portas da sombra da morte?
Ou consideraste tu a largura da terra? Declara, se sabes tudo isto.
Onde está o caminho onde mora a luz? E onde, o lugar das trevas,
Para que as leve aos seus limites e entenda as veredas da sua casa?
Tu o sabes, porque já então eras nascido, e porque é grande o número dos teus dias?
Ou entraste tu até aos tesouros da neve, ou viste os tesouros da saraiva,
Que retenho para o tempo de aperto, para o dia da peleja e da guerra?
Por que caminho se reparte a luz, e se espalha o vento oriental sobre a terra?
Quem abriu para a corrente de águas fortes um leito, e um caminho para os relâmpagos dos trovões,
Para chover sobre a terra, onde não há ninguém, e no deserto, onde não há homem,
Para fartar a terra deserta e assolada e para fazer brotar a erva tenra?
A chuva tem pai? Ou quem gera as gotas do orvalho?
De que ventre procede o gelo? E a geada do céu, quem a gera?
As águas se endurecem como pedra, e a superfície do abismo se prende.
Ou poderás tu ajuntar as delícias das Plêiades, ou desatar os cordéis do Órion?
Ou produzir os sinais dos tempos ou guiar a Ursa com seus filhos?
Sabes tu as ordenanças dos céus? Ou podes estabelecer o domínio deles sobre a terra?
Ou podes levantar a tua voz até às nuvens, para que a abundância das águas te cubra?
Ou mandarás aos raios, e eles irão, e te dirão: Eis-nos aqui?
Quem pôs a sabedoria no íntimo, ou quem deu à mente o entendimento?
Quem contará as nuvens com sabedoria? Ou quem derramará os odres dos céus,
Quando o pó se fundiu numa massa, e os torrões se apegaram uns aos outros?
Porventura, caçarás tu presa para a leoa, ou saciarás a fome dos leõezinhos,
Quando se encurvam nos covis, e estão à espreita nas covas?
Quem prepara aos corvos o seu alimento, quando os seus pintões clamam a Deus, e andam vagueando por falta de comida?