O livro de Jó é considerado canônico por todas as tradições cristãs e pelo judaísmo. Faz parte dos livros poéticos e sapienciais do Antigo Testamento. A versão utilizada é a Almeida Revista e Corrigida (ARC), fiel ao Texto Massorético Hebraico.
Jó
Capítulo 41 — Deus mostra a Jó a grandeza do seu poder no leviatã
Poderás tu tirar o leviatã com um anzol, ou apertarás a sua língua com uma corda?
Podes pôr-lhe uma corda no nariz, ou com um espinho furar a sua queixada?
Porventura, far-te-á muitas súplicas? Ou falar-te-á brandamente?
Fará ele concerto contigo, para o tomares por servo perpétuo?
Brincarás com ele como com um passarinho, ou o prenderás para tuas meninas?
Farão os companheiros mercadoria dele? Ou reparti-lo-ão entre os negociantes?
Encherás de arpões a sua pele, ou a sua cabeça com arpões de pescadores?
Põe a tua mão sobre ele; lembra-te da peleja e nunca mais o farás.
Eis que a esperança de o alcançar é vã; pois até à sua vista se sucumbiria.
Ninguém há tão atrevido que o desperte; quem, pois, é aquele que ousará erguer-se diante de mim?
Quem primeiro me deu a mim, para que eu haja de retribuir-lhe? Pois tudo o que há debaixo de todos os céus é meu.
Não me calarei quanto às suas partes, nem à força dos seus músculos, nem à graça da sua compostura.
Quão descobriria o seu vestido? Ou quem chegaria a ele com o seu freio dobrado?
Quem abriria as portas do seu rosto? Pois em roda dos seus dentes está o terror.
As suas excelentes escamas são a sua glória, fechadas como com selo apertado.
Cada uma está unida com a outra; uma tal se achega à outra, nem ainda alguma fenda entre elas existe.
Cada uma se pega à sua irmã; entrelaçam-se uma com a outra, e não se podem apartar.
Os seus espirros fazem resplandecer a luz; os seus olhos são como as pestanas da alva.
Da sua boca saem tochas de fogo; faíscas de fogo se desprendem.
Do seu nariz procede fumaça, como de uma panela fervente, e como de uns juncos ardentes.
O seu hálito faz incender os carvões; e da sua boca sai chama.
No seu pescoço reside a força; e diante dele até o desgosto salta.
As dobras da sua carne estão pegadas uma à outra; estão sobre ele fundidas, e não se podem mover.
O seu coração é firme como pedra, e firme como a mó do moinho.
Levantando-se ele, tremem os fortes; com as suas quebras ficam desembestados.
A espada que o alcança não pode resistir, nem a lança, nem a flecha, nem a couraça.
Ele reputa o ferro como palha, e o metal como madeira podre.
A flecha não o pode fazer fugir; as pedras das fundas se lhe tornam em pragana.
As pedras da funda são para ele como restolho; e ri-se do brandir da lança.
Debaixo de si, tem pontas agudas; espalha-se sobre a lama como uma roda de debulhar.
As profundezas faz ferver como panela; torna o mar como panela de unguento.
Atrás de si, deixa uma vereda luminosa; o abismo parece ter-se coberto de cãs.
Sobre a terra não há seu semelhante; foi feito para não ter medo.
Olha todo o altivo; ele é rei sobre todos os filhos dos soberbos.