O livro de Jó é considerado canônico por todas as tradições cristãs e pelo judaísmo. Faz parte dos livros poéticos e sapienciais do Antigo Testamento. A versão utilizada é a Almeida Revista e Corrigida (ARC), fiel ao Texto Massorético Hebraico.
Jó
Capítulo 6 — Jó responde a Elifaz, queixando-se da sua tristeza e pedindo compreensão
Então, respondeu Jó e disse:
Quem dera que de fato se pesasse a minha ira, e a minha miséria juntamente se pusesse na balança!
Porque, então, seria mais pesada do que a areia do mar; por isso é que as minhas palavras têm sido temerárias.
Porque as flechas do Todo-Poderoso estão em mim; o espirito delas bebe o meu espírito; e os terrores de Deus se alinham contra mim.
Porventura, zurrará o jumento montês erva tenra? Ou mugirá o boi diante do seu pasto?
Comer-se-á sem sal o que é insípido? Ou haverá sabor na clara do ovo?
As coisas que a minha alma recusava tocar, estas são a minha comida, como a doença.
Quem me dera que se cumprisse o meu desejo, e que Deus me desse o que espero!
Que Deus me quisesse esmagar, e estendesse a sua mão, e me desarraigasse!
E ainda isto seria a minha consolação; e no mal me atormentaria, porque não me arrependo das palavras do Santo.
Qual é a minha força, para que espere? E qual é o meu fim, para que tenha paciência?
É a minha força a força da pedra? Ou é de metal a minha carne?
Nem ainda auxílio em mim há, e a própria ajuda de mim está afastada.
Ao desfalecido devia o amigo mostrar compaixão; ainda ao que deixa o temor do Todo-Poderoso.
Meus irmãos estão aleivosos como o ribeiro; como o leito dos ribeiros que passam,
Que se turvam com o gelo, e neles se esconde a neve;
No tempo do estio, se extingüem; e, quando faz calor, se secam do seu lugar.
Desviam-se os caminhos do seu curso; vão ao vazio, e perecem.
Olham as caravanas de Tema; os caminhantes de Sabá esperam por eles.
E se confundem por neles terem confiado; e, chegando ali, se envergonham.
Agora, pois, tais vos sois, porque vedes o meu espanto e temeis.
Porventura, disse eu: dai-me, ou me fazei um presente, ou me comprou com o vosso poder?
Ou: livrai-me da mão do adversário, ou: resgatai-me da mão dos opressores?
Ensinai-me, e eu me calarei; e fazei-me entender em que pequei.
Quão poderosas são as palavras da retidão! Mas, que é o que a repreensão de vós argüi?
Porventura, pensais em repreender as minhas palavras? Mas as razões do desesperado são para o vento.
Deveras, lançais sorte sobre o órfão e cavais uma cova para o vosso amigo.
Agora, pois, certamente, se vos aprouver, olhai para mim; e bem vedes, se minto.
Tornai, peço-vos, que não haja iniqüidade; tornai a isso, que ainda a minha justiça é conhecida.
Haverá iniqüidade na minha língua? Ou não distinguiria a minha garganta a desgraça?