A 'Sabedoria de Salomão' é um livro deuterocanônico presente no cânon da Igreja Ortodoxa Etíope Tewahedo, assim como nas tradições católica e ortodoxa oriental. É considerado apócrifo pelas tradições protestantes. O livro foi originalmente escrito em grego, provavelmente em Alexandria (Egito), e é atribuído tradicionalmente ao rei Salomão, embora estudiosos modernos datem sua composição no século I a.C. ou I d.C. O texto apresenta uma personificação da Sabedoria divina e contrasta o destino dos justos e dos ímpios.
Sabedoria de Salomão
Capítulo 1
Amai a justiça, vós que julgais a terra, tende do Senhor sentimentos nobres e procurai-o com simplicidade de coração,
porque ele se deixa encontrar por aqueles que não o tentam, e se manifesta aos que não lhe recusam fé.
Com efeito, os pensamentos tortuosos afastam de Deus, e, uma vez provado, o Poder confunde os insensatos.
A Sabedoria não entra numa alma voltada para o mal, nem habita num corpo sujeito ao pecado.
Pois o santo espírito, educador, foge da dissimulação, subtrai-se aos pensamentos insensatos, e se vê repelido pela injustiça que sobrevém.
A Sabedoria é um espírito amigo dos homens, não deixará impune o blasfemo por seus lábios, porque Deus é testemunha dos seus sentimentos, conhece com verdade o seu coração, e ouve as suas palavras.
É que o espírito do Senhor enche o universo, e, abraçando todas as coisas, conhece toda palavra.
Por esse motivo, ninguém que profira palavras injustas passará despercebido, e a justiça castigadora não o deixará sem punição.
Com efeito, serão examinados os projetos do ímpio, o eco das suas palavras chegará até o Senhor, para punir as suas iniqüidades.
Porque o ouvido do ciúme escuta tudo, e o barulho das murmurações não fica oculto.
Guardai-vos, portanto, da murmuração inútil, e evitai a maledicência da língua, porque nenhuma palavra furtiva ficará sem resultado, e a boca mentirosa mata a alma.
Não provoqueis a morte pelos desvarios da vossa vida, nem vos atraiais a ruína pelas obras de vossas mãos.
Porque Deus não fez a morte, nem se alegra com a perdição dos vivos.
Ele criou todas as coisas para que existissem; as criaturas do mundo são salutares: nelas não há veneno de morte, nem o reino da morte impera sobre a terra,
porque a justiça é imortal.
Os ímpios, porém, com as mãos e com as palavras, atraíram a morte; consideraram-na amiga e por ela definharam; fizeram aliança com ela, porque são dignos de lhe pertencer.