A 'Sabedoria de Salomão' é um livro deuterocanônico presente no cânon da Igreja Ortodoxa Etíope Tewahedo, assim como nas tradições católica e ortodoxa oriental. É considerado apócrifo pelas tradições protestantes. O livro foi originalmente escrito em grego, provavelmente em Alexandria (Egito), e é atribuído tradicionalmente ao rei Salomão, embora estudiosos modernos datem sua composição no século I a.C. ou I d.C. O texto apresenta uma personificação da Sabedoria divina e contrasta o destino dos justos e dos ímpios.
Sabedoria de Salomão
Capítulo 13
Foram, com efeito, insensatos por natureza todos os homens que viveram na ignorância de Deus; e, pela contemplação das coisas boas, não chegaram a conhecer Aquele que é, nem reconheceram, nas obras, o Artífice,
mas consideraram como deuses, regentes do mundo, o fogo, o vento, o ar ligeiro, o giro dos astros, a violência das águas, os luminares do céu.
Se, encantados com a sua beleza, as tomaram por deuses, saibam quanto o seu Senhor é superior, pois foi o Autor da beleza quem as criou.
Se ficaram impressionados com o seu poder e com a sua ação, considerem, por estas mesmas coisas, quanto é mais poderoso aquele que as formou;
porque, pela grandeza e beleza das criaturas, os seus autores se tornam, por analogia, visíveis.
No entanto, estes homens merecem uma censura menor; com efeito, talvez se enganem procurando Deus e querendo encontrá-lo.
Entre as suas obras desde há muito, por elas atraídos, deixam-se seduzir e, fascinados, julgam ver o que vêem de belo.
Mas nem a esses é dado escusar-se.
Se foram capazes de tanto saber a ponto de poderem explorar o universo, como é que não descobriram primeiro o Senhor destas coisas?
Infelizes, porém, com a sua esperança posta em coisas mortas, aqueles que chamaram deuses às obras das mãos dos homens, o ouro e a prata trabalhados com arte, figuras de animais, ou uma pedra inútil, obra de uma mão antiga.
Um lenhador, depois de cortar uma árvore fácil de manejar, habilmente lhe tira toda a casca, e, com arte, constrói um objeto útil à vida,
e os restos da madeira, para o serviço da sua vida, os emprega para preparar o alimento e se sustentar.
Das sobras, e de uma que não serve para nada, madeira torta e cheia de nós, ele a entalha com esmero, e a enche de ciência, e, fazendo-a à imagem de um homem,
ou parecida com algum animal desprezível, pinta-a de vermelho, e fica-lhe de vermelho a superfície, e a toda mancha que apresenta cobre-a,
depois, faz-lhe uma morada conveniente, empareda-a, segura-a com pregos de ferro,
para que ela não caia, porque sabe que ela não pode ajudar-se a si mesma; na verdade, ela é uma imagem, e precisa de auxílio.
Contudo, ele, por seus bens, por seu matrimônio ou por seus filhos, vai fazer preces a essa imagem, que não se envergonha de interpelar como a um deus.
Pede saúde, ele que está enfermo; a vida, aquele que vai morrer; por seu auxílio, suplica,
para uma viagem, ele que nada pode; para ganhar, ele que é inábil para tudo; para o trabalho, aquele que de forças não dispõe.