A 'Sabedoria de Salomão' é um livro deuterocanônico presente no cânon da Igreja Ortodoxa Etíope Tewahedo, assim como nas tradições católica e ortodoxa oriental. É considerado apócrifo pelas tradições protestantes. O livro foi originalmente escrito em grego, provavelmente em Alexandria (Egito), e é atribuído tradicionalmente ao rei Salomão, embora estudiosos modernos datem sua composição no século I a.C. ou I d.C. O texto apresenta uma personificação da Sabedoria divina e contrasta o destino dos justos e dos ímpios.
Sabedoria de Salomão
Capítulo 6
Ouvi, pois, reis, e entendei; instruí-vos, juízes dos confins da terra.
Escutai, vós que dominais a multidão e vos engrandeceis entre as nações numerosas.
Foi o Senhor quem vos deu o poder, e o Altíssimo, a soberania; ele examinará as vossas obras e perscrutará os vossos desígnios.
Porque, sendo ministros do seu reino, não julgastes retamente, nem guardastes a lei, nem procedestes segundo a vontade de Deus.
De maneira terrível e subita ele se apresentará diante de vós, porque um juízo severo se fará para com os que estão no alto.
Ao pequeno, por misericórdia, se lhe perdoa, mas os poderosos serão poderosamente atormentados.
Porque o Senhor de todos não recuará diante de ninguém, nem respeitará a grandeza; pois ele fez tanto o pequeno como o grande, e cuida igualmente de todos.
Mas aos poderosos se reserva um inquérito mais rigoroso.
É, portanto, para vós, ó governantes, que estão as minhas palavras, para que aprendais a sabedoria e não pequeis.
Pois os que observam santamente as leis santas serão declarados santos, e os que se deixarem instruir por elas, nela encontrarão a sua defesa.
Desejai, portanto, as minhas palavras; anelai por elas e sereis instruídos.
Resplandecente e imarcescível é a Sabedoria; facilmente a contemplam os que a amam, e a encontram os que a procuram.
Ela preveni os que a desejam, a fim de se manifestar primeiro a eles.
Quem por ela madruga não se fatigará, porque a encontrará sentada a sua porta.
Meditar nela é o perfeito entendimento, e quem por ela velar, em breve ficará livre de cuidados.
Porque ela mesma anda à procura dos que são dignos; mostra-se benévola nos caminhos, sai-lhes ao encontro em todos os pensamentos.
O seu verdadeiro princípio é o desejo da instrução; o cuidado com a instrução é amor;
o amor é a guarda das suas leis; a observância das leis é a garantia da incorruptibilidade;
a incorruptibilidade faz estar perto de Deus.
O desejo da Sabedoria conduz, pois, à realeza.
Se, pois, vos deleitais com os tronos e os cetros, ó governantes dos povos, honrai a Sabedoria, a fim de que reineis eternamente.
O que é a Sabedoria e como foi gerada, vou declará-lo; não vos ocultarei os mistérios, mas vos farei voltar à origem dos seus conhecimentos; exporei a verdade claramente e não fugirei à verdade.
Nem com a cobiça, que consome, andarei de conserva com a Sabedoria; porque a cobiça não se harmoniza com a Sabedoria,
e a multidão dos sábios é a salvação do mundo; e o rei prudente, a estabilidade do povo.
Sede, portanto, instruídos pelas minhas palavras; isso vos será proveitoso.