Eclesiastes (em hebraico: Qoheleth, 'o pregador') é um dos livros sapienciais ou poéticos do Antigo Testamento. Tradicionalmente atribuído ao rei Salomão, o livro reflete sobre o sentido da vida e a vaidade dos esforços humanos debaixo do sol. É canônico para todas as tradições cristãs que seguem o cânon da Septuaginta.
Eclesiastes
Capítulo 10
Assim como a mosca morta faz exalar mau cheiro ao ungüento do perfumador, assim faz um pouco de estultícia à sabedoria e à glória.
O coração do sábio está à sua mão direita, mas o coração do tolo à sua esquerda.
E, até no caminho em que o tolo vai, falta-lhe o entendimento, e diz a todos que é tolo.
Se se levantar contra ti o espírito do que domina, não deixes o teu lugar; porque o desassossego aquietará grandes pecados.
Ainda há um mal que vi debaixo do sol, como o erro que procede do que governa:
A estultícia posta em grandes alturas, e os ricos assentados em lugar baixo.
Vi servos a cavalo, e príncipes a pé como servos.
Quem abrir uma cova, cairá nela; e quem romper um muro, uma cobra o morderá.
Quem transportar pedras, se cansará com elas; e quem rachar lenha, correrá perigo nisso.
Se o ferro está embotado, e não se amolar o corte, então se deve pôr mais forças; mas a sabedoria é proveitosa para dar bom êxito.
Se a cobra morder antes de estar encantada, não há mais vantagem no encantador.
As palavras da boca do sábio são graça, mas os lábios do tolo o devoram a ele mesmo.
O princípio das palavras da sua boca é loucura, e o fim do seu discurso é péssimo desvario.
E o tolo multiplica as palavras; mas o homem não sabe o que sucederá; e o que será depois dele, quem lho declarará?
O trabalho dos tolos a cada um deles fatiga, porque nem sabe ir à cidade.
Ai de ti, ó terra, cujo rei é criança, e cujos príncipes comem de manhã!
Bem-aventurada tu, ó terra, cujo rei é filho de nobres, e cujos príncipes comem a seu tempo, para refazerem as forças, e não para beberem!
Pela muita preguiça o telhado se enverga, e pela frouxidão das mãos a casa goteja.
Para rir se fazem os banquetes, e o vinhe alegra os viventes, e o dinheiro responde para tudo.
Nem ainda no teu pensamento amaldiçoes o rei, nem tampouco na tua câmara, no teu leito, amaldiçoes o rico; porque as aves do céu levariam a voz, e as asas da ave dariam notícia do negócio.