Eclesiastes (em hebraico: Qoheleth, 'o pregador') é um dos livros sapienciais ou poéticos do Antigo Testamento. Tradicionalmente atribuído ao rei Salomão, o livro reflete sobre o sentido da vida e a vaidade dos esforços humanos debaixo do sol. É canônico para todas as tradições cristãs que seguem o cânon da Septuaginta.
Eclesiastes
Capítulo 2
Disse eu no meu coração: Ora vem, eu te provarei com a alegria; portanto goza o prazer; mas eis que também isso era vaidade.
Ao riso disse: Está louco; e à alegria: De que serve esta?
Resolvi no meu coração dar-me ao vinho, e entregar-me à loucura, em quanto meu coração me guiasse em sabedoria, e reter a estultícia, até que visse qual o bem que os filhos dos homens devem buscar debaixo do céu, todos os dias da sua vida.
Fiz para mim obras grandiosas; edifiquei para mim casas; plantei para mim vinhas.
Fiz para mim jardins e pomares, e plantei neles árvores de todo o fruto.
Fiz para mim tanques de águas, para com eles regar o bosque em que reverdeciam as árvores.
Comprei servos e servas, e tive servos nascidos em casa; também possuí gado, e vacas em grande número, mais do que todos os que antes de mim houvera em Jerusalém.
Ajuntei para mim também prata e ouro, e os tesouros dos reis e das províncias; provi-me de cantores e cantoras, e delícias dos filhos dos homens, como instrumentos de música de toda a sorte.
E engrandeci-me, e aumentei mais do que todos os que antes de mim houvera em Jerusalém; perseverou também comigo a minha sabedoria.
E tudo quanto desejaram os meus olhos não lhes neguei, nem privei o meu coração de alegria alguma; porque o meu coração se alegrou de todo o meu trabalho; e esta foi a porção de todo o meu trabalho.
Voltei-me então para todas as obras que as minhas mãos fizeram, e para o trabalho que eu, trabalhando, fiz; e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito, e proveito nenhum debaixo do sol.
E eu me voltei para contemplar a sabedoria, e os desvarios, e a loucura; porque, que fará o homem que suceder ao rei? O mesmo que os outros já fizeram.
Então vi eu que a sabedoria é mais excelente do que a loucura, quanto a luz é mais excelente do que as trevas.
Os olhos do homem sábio estão na sua cabeça, mas o louco anda em trevas; então entendi eu que também a mesma coisa lhes sucede a ambos.
Pelo que disse eu no meu coração: Como sucede ao louco, assim me sucederá a mim a mim; por que então busquei eu mais a sabedoria? Então disse no meu coração que também isto era vaidade.
Porque tanto do sábio como do louco a memória não será para sempre; porque, como os dias futuros, todos já estão esquecidos; e como morre o sábio, assim morre o louco.
Pelo que aborreci a vida, porque a obra que se faz debaixo do sol me era enfadonha; porque tudo é vaidade e aflição de espírito.
Também aborreci todo o meu trabalho, que eu havia feito debaixo do sol, visto que eu havia de deixar ao homem que depois de mim viesse.
E quem sabe se será sábio ou louco? Contudo, se apoderará de todo o meu trabalho, em que trabalhei e em que me houve sabiamente debaixo do sol; também isto é vaidade.
Pelo que eu me volvi e entreguei o meu coração a desesperar do trabalho com que me afadiguei debaixo do sol.
Porque há homem cujo trabalho é feito com sabedoria, ciência e destreza; contudo, o deixará a um homem que não trabalhou nele, por sua porção; também isto é vaidade e grande mal.
Pois, que vem a ter o homem de todo o seu trabalho e da aflição do seu coração, em que ele anda trabalhando debaixo do sol?
Porque todos os seus dias são dores, e o seu trabalho é aflição; até de noite o seu coração não descansa; também isto é vaidade.
Não há coisa melhor para o homem do que comer, beber e fazer gozar a sua alma do bem do seu trabalho. Eu vi que isto também era das mãos de Deus.
Pois, quem pode comer ou alegrar-se melhor do que eu?
Porque ao homem que é bom perante ele, dá sabedoria, ciência e alegria; mas ao pecador dá trabalho, para que ele ajunte e amontoe, para dar àquele que é bom perante Deus; também isto é vaidade e aflição de espírito.