Eclesiastes (em hebraico: Qoheleth, 'o pregador') é um dos livros sapienciais ou poéticos do Antigo Testamento. Tradicionalmente atribuído ao rei Salomão, o livro reflete sobre o sentido da vida e a vaidade dos esforços humanos debaixo do sol. É canônico para todas as tradições cristãs que seguem o cânon da Septuaginta.
Eclesiastes
Capítulo 3
Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.
Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;
Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derribar, e tempo de edificar;
Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de saltar;
Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar;
Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora;
Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar;
Tempo de amar, e tempo de aborrecer; tempo de guerra, e tempo de paz.
Que proveito tem o trabalhador naquilo com que trabalha?
Tenho visto o trabalho que Deus deu aos filhos dos homens, para nele se exercitarem.
Tudo fez formoso em seu tempo; também pôs o mundo no seu coração, sem que o homem possa descobrir a obra que Deus fez desde o princípio até ao fim.
Já tenho conhecido que não há coisa melhor para eles do que alegrar-se e fazer bem na sua vida;
E também que todo o homem coma e beba, e goze do bem de todo o seu trabalho; isto é um dom de Deus.
Eu sei que tudo quanto Deus faz durará eternamente; nada se lhe deve acrescentar, e nada se lhe deve tirar; e isto faz Deus para que haja temor diante dele.
O que é, já foi; e o que há de ser, também já foi; e Deus pede conta do que passou.
Vi mais debaixo do sol, que no lugar do juízo já havia impiedade, e no lugar da justiça já havia iniquidade.
Eu disse no meu coração: Deus julgará o justo e o ímpio; porque há tempo para todo o intento, e para toda a obra.
Disse eu no meu coração: É por causa dos filhos dos homens, para que Deus os prove, e eles vejam que são em si mesmos como os animais.
Porque o que sucede aos filhos dos homens, isso também sucede aos animais; e lhes sucede a mesma coisa; como morre um, assim morre o outro; e todos têm o mesmo fôlego; e a vantagem dos homens sobre os animais não é nenhuma, porque todos são vaidade.
Todos vão para um lugar; todos foram feitos do pó, e todos tornarão ao pó.
Quem sabe que o fôlego do homem sobe para cima, e que o fôlego do animal desce para baixo para a terra?
Assim que tenho visto que não há coisa melhor do que alegrar-se o homem nas suas obras, porque essa é a sua porção; pois quem o fará voltar para ver o que será depois dele?