Eclesiastes (em hebraico: Qoheleth, 'o pregador') é um dos livros sapienciais ou poéticos do Antigo Testamento. Tradicionalmente atribuído ao rei Salomão, o livro reflete sobre o sentido da vida e a vaidade dos esforços humanos debaixo do sol. É canônico para todas as tradições cristãs que seguem o cânon da Septuaginta.
Eclesiastes
Capítulo 5
Guarda o teu pé, quando entrares na casa de Deus; porque chegar-se para ouvir é melhor do que oferecer sacrifícios de tolos, pois não sabem que fazem mal.
Não te precipites com a tua boca, nem o teu coração se apresse a pronunciar palavra alguma diante de Deus; porque Deus está nos céus, e tu estás sobre a terra; portanto, sejam poucas as tuas palavras.
Porque da muita ocupação vêm os sonhos, e da muita palavra a voz do tolo.
Quando a Deus fizeres algum voto, não tardes em cumpri-lo; porque não se agrada de tolos; o que votares, paga-o.
Melhor é que não votes do que votes e não pagues.
Não consintas que a tua boca faça pecar a tua carne, nem digas diante do anjo que foi inadvertência; por que razão se iraria Deus contra a tua voz, e destruiria a obra das tuas mãos?
Porque, como na multidão dos sonhos há vaidades, assim também nas muitas palavras; mas tu teme a Deus.
Se vires em alguma província opressão de pobres e perversão do direito e da justiça, não te maravilhes disto; porque todo oficial está acima dele, e mais alto do que eles há outro.
E, de todos, o proveito para a terra é, até, o rei, a quem o campo se cultiva.
Quem ama o dinheiro nunca se fartará de dinheiro; e quem ama a abundância nunca se fartará da renda; também isto é vaidade.
Onde os bens se multiplicam, ali se multiplicam os que comem; e que proveito tem o seu possuidor, senão vê-los com os seus olhos?
Doce é o sono do trabalhador, quer coma pouco quer muito; mas a fartura do rico não o deixa dormir.
Há um grave mal que vi debaixo do sol: as riquezas que os seus possuidores guardam para o seu próprio dano.
E essas mesmas riquezas se perdem por má ocupação; e, tendo ele um filho, nada lhe fica na sua mão.
Como saiu do ventre de sua mãe, assim nu voltará, indo como veio; e nada tomará do seu trabalho, que possa levar na sua mão.
Também isto é um grave mal: que, como veio, assim há de ir; e que proveito lhe vem, pois trabalha para o vento?
E todos os seus dias comerá em trevas, com muito enfado, e enfermidade e ira.
Eis aqui o que eu vi: boa e formosa coisa é, comer e beber, e gozar cada um do bem de todo o seu trabalho, com que se afadiga debaixo do sol, todos os dias da sua vida que Deus lhe deu; porque esta é a sua porção.
E, quanto ao homem a quem Deus deu riquezas e fazenda, e lhe deu poder para delas comer, e tomar a sua porção, e gozar do seu trabalho, isso é um dom de Deus.
Porque não se lembrará muito dos dias da sua vida, porquanto Deus lhe enche de alegria o seu coração.