Eclesiastes (em hebraico: Qoheleth, 'o pregador') é um dos livros sapienciais ou poéticos do Antigo Testamento. Tradicionalmente atribuído ao rei Salomão, o livro reflete sobre o sentido da vida e a vaidade dos esforços humanos debaixo do sol. É canônico para todas as tradições cristãs que seguem o cânon da Septuaginta.
Eclesiastes
Capítulo 6
Há um mal que vi debaixo do sol, e mui frequente entre os homens:
Um homem a quem Deus deu riquezas, bens e honra, e nada lhe falta para desejo de sua alma; e Deus não lhe dá poder para daí comer; antes o estranho lho come; também isto é vaidade e má enfermidade.
Se um homem gerar cem filhos, e viver muitos anos, e os dias dos seus anos forem muitos, porém a sua alma não se fartar do bem, e nem ainda tiver sepultura, digo que um aborto é melhor do que ele.
Porquanto debalde veio, e em trevas vai, e de trevas se encobre o seu nome.
E ainda que nunca viu o sol, nem o conheceu, mais descanso tem do que o tal.
E, se vivesse dois mil anos, mas não gozasse o bem; não vão todos para o mesmo lugar?
Todo o trabalho do homem é para a sua boca, mas o seu apetite nunca se satisfaz.
Porque, que vantagem tem o sábio sobre o tolo? Ou que vantagem tem o pobre que sabe andar perante os vivos?
Melhor é a vista dos olhos do que o vaguear da cobiça; também isto é vaidade e aflição de espírito.
Seja qualquer o que for, já o seu nome foi nomeado; e sabe-se que é homem, e que não pode contender com o que é mais forte do que ele.
Porque, como a multidão das palavras aumenta a vaidade, que vantagem tem o homem?
Pois quem sabe o que é bom para o homem nesta vida? Durante todos os dias da sua vida vaidosa, que gasta como sombra; pois quem declarará ao homem o que será depois dele debaixo do sol?