O Livro de Naum é reconhecido como canônico por todas as principais tradições cristãs e pelo judaísmo. Naum, cujo nome significa 'consolador' ou 'cheio de consolação', profetizou contra a cidade de Nínive, capital da Assíria, cerca de um século após a pregação de Jonas. O livro anuncia a queda de Nínive, que ocorreu em 612 a.C., como um julgamento divino pela crueldade e opressão dos assírios contra Israel e outras nações.
Naum
Capítulo 3 — O Julgamento Final e a Ruína de Nínive
Ai da cidade ensanguentada! Ela está toda cheia de mentira e de furto; não se aparta dela a rapina.
Eis o estalo dos açoites, e o ruído do estrondo das rodas, e o galopar de cavalos, e o saltar de carros.
O cavaleiro levanta a espada reluzente e a lança vibrante, e há multidão de mortos, e grande quantidade de cadáveres, e de mortos não há fim; os corpos tropeçam nos corpos.
Por causa da multidão das prostituições da prostituta formosa, e da mestra das feitiçarias, que vendeu as nações com as suas prostituições e as famílias com as suas feitiçarias.
Eis que eu estou contra ti, diz o Senhor dos Exércitos; e eu descobrirei as tuas fraldas diante da tua face e mostrarei às nações a tua nudez e aos reinos a tua vergonha.
E lançarei sobre ti coisas abomináveis, e te envergonharei, e te porei como um espetáculo.
E há de ser que todos os que te virem fugirão de ti e dirão: Nínive está destruída; quem terá compaixão dela? De onde te buscarei consoladores?
Es tu melhor do que Nó-Amom, que estava entre os rios, cercada de águas, que tinha por baluarte o mar e por muralha o mar?
Etiópia e Egito eram a sua força, que não tinha fim; Pute e Líbia eram o seu auxílio.
Todavia, ela foi levada cativa, foi para o cativeiro; também os seus filhos foram despedaçados nas entradas de todas as ruas, e sobre os seus ilustres lançaram sortes, e todos os seus grandes foram presos com grilhões.
Tu também serás embriagada; te esconderás e também buscarás força, por causa do inimigo.
Todas as tuas fortalezas serão como figueiras com figos temporãos; se os sacodem, caem na boca do que os há de comer.
Eis que o teu povo no meio de ti são como mulheres; as portas da tua terra estarão de todo abertas aos teus inimigos; o fogo consumirá os teus ferrolhos.
Tira água para o cerco, fortifica as tuas fortalezas; entra no lodo, e pisa o barro, toma a forma para o forno.
Ali, pois, te devorará o fogo, te cortará a espada, te consumirá como o gafanhoto; ainda que te multipliques como o gafanhoto, e te multipliques como os gafanhotos.
Multiplicaste os teus negociantes mais do que as estrelas do céu; o gafanhoto saqueia e voa.
Os teus príncipes são como os gafanhotos, e os teus capitães, como os gafanhotos grandes, que se acampam nas paredes no dia de frio; em nascendo o sol, voam, e não se conhece o lugar onde estão.
Os teus pastores dormitam, ó rei da Assíria; os teus valentes descansam; o teu povo se derramou pelos montes, e não há quem o ajunte.
Não há cura para a tua ferida; a tua chaga é dolorosa; todos os que ouvirem a tua fama baterão as palmas sobre ti, porque quem não experimentou continuamente a tua maldade?