O Livro de Habacuque é reconhecido como canônico por todas as principais tradições cristãs e pelo judaísmo. Habacuque profetizou provavelmente no final do século VII a.C., pouco antes da invasão babilônica a Judá (605-597 a.C.). O livro é único entre os profetas por ser um diálogo entre o profeta e Deus, no qual Habacuque questiona a justiça divina diante da violência e opressão em Judá, e depois diante do uso da Babilônia como instrumento de juízo. O capítulo 3 é um salmo poético que celebra a majestade e o poder de Deus.
Habacuque
Capítulo 1 — A Primeira Queixa de Habacuque e a Resposta de Deus
O peso que viu o profeta Habacuque.
Até quando, Senhor, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritarei a ti: Violência! E não salvarás?
Por que me fazes ver a iniquidade e me fazes ver a opressão? Pois a destruição e a violência estão diante de mim; há também quem suscite contendas e litígios.
Por esta causa, a lei se afrouxa, e a justiça nunca se manifesta; porque o ímpio cerca o justo, e a justiça se manifesta distorcida.
Vede entre os gentios, e olhai, e maravilhai-vos, e admirai-vos; porque realizarei em vossos dias uma obra, que vós não crereis, quando vos for contada.
Porque eis que eu levanto os caldeus, nação amarga e impetuosa, que marcha sobre a largura da terra, para possuir moradas que não são suas.
Horrível e terrível é; dela mesma sairá o seu juízo e a sua grandeza.
Os seus cavalos são mais ligeiros do que os leopardos, e mais espertos do que os lobos à tarde; os seus cavaleiros se espalham, e os seus cavaleiros virão de longe; voarão como águias que se apressam a devorar.
Eles virão todos para fazer violência; os seus rostos buscarão o vento oriental, e amontoarão os cativos como areia.
E escarnecerão dos reis, e dos príncipes farão zombaria; eles se rirão de todas as fortalezas, porque amontoarão terra, e as tomarão.
Então passará o seu espírito, e seguirá, e se fará culpado; esta sua força será o seu deus.
Não és tu desde o princípio, ó Senhor meu Deus, meu Santo? Nós não morreremos. Ó Senhor, para juízo o puseste; tu, ó Rocha, o fundaste para castigar.
Tu és de puríssimos olhos, para não veres o mal; e a opressão não podes contemplar. Por que olhas para os que procedem aleivosamente e te calas quando o ímpio devora aquele que é mais justo do que ele?
E porias os homens como os peixes do mar, como os répteis, que não têm quem os governe?
Ele a todos levantará com o anzol, e os apanhará com a sua rede, e os ajuntará com a sua varredoura; e por isso ele se alegrará e se regozijará.
Por isso sacrificará à sua rede, e queimará incenso à sua varredoura; porque por elas é rica a sua porção, e abundante a sua comida.
Porventura, vazará por isso a sua rede, e não cessará de matar os povos continuamente?