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Evangelho de Marcos, tradicionalmente atribuído a João Marcos, companheiro de Pedro. Considerado o mais antigo dos evangelhos sinóticos. Aceito por todas as tradições cristãs que seguem o cânon do Novo Testamento.

Marcos

Capítulo 7 — Jesus critica as tradições humanas. A mulher siro-fenícia. Cura do surdo-mudo.

1

E aproximaram-se dele os fariseus, e alguns dos escribas, que tinham vindo de Jerusalém.

2

E, vendo que alguns dos seus discípulos comiam pão com as mãos impuras, isto é, por lavar, os repreendiam.

3

Porque os fariseus e todos os judeus, conservando a tradição dos antigos, não comem sem lavar as mãos muitas vezes;

4

E, voltando do mercado, se não lavarem, não comem. E muitas outras coisas há que observam, como lavar os copos, e os jarros, e os vasos de metal, e as camas.

5

Depois perguntaram-lhe os fariseus e os escribas: Por que não andam os teus discípulos conforme a tradição dos antigos, mas comem pão com as mãos por lavar?

6

E ele, respondendo, disse-lhes: Bem profetizou Isaías acerca de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim;

7

Em vão, porém, me honram, ensinando doutrinas que são mandamentos dos homens.

8

Porque, deixando o mandamento de Deus, retendes a tradição dos homens; como o lavar dos jarros e dos copos; e fazeis muitas outras coisas semelhantes.

9

E disse-lhes: Bem invalidais o mandamento de Deus para guardardes a vossa tradição.

10

Porque Moisés disse: Honra a teu pai e a tua mãe; e quem maldisser ao pai ou à mãe, certamente morrerá.

11

Mas vós dizeis: Se um homem disser ao pai ou à mãe: Aquilo que poderias aproveitar de mim é Corbã, isto é, oferta ao Senhor;

12

Nada mais lhe permitis fazer por seu pai ou por sua mãe,

13

Invalidando assim a palavra de Deus pela vossa tradição, que vós ordenastes. E muitas coisas fazeis semelhantes a estas.

14

E, chamando outra vez a multidão, disse-lhes: Ouvi-me vós todos e entendei.

15

Nada há fora do homem que, entrando nele, o possa contaminar; mas o que sai do homem é o que o contamina.

16

Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça.

17

E, quando entrou em casa, deixando a multidão, perguntaram-lhe os seus discípulos acerca da parábola.

18

E ele disse-lhes: Assim também vós estais sem entendimento? Não compreendeis que tudo o que de fora entra no homem não o pode contaminar,

19

Porque não entra no seu coração, mas no ventre, e é lançado fora no lugar escuro, purificando assim todos os alimentos.

20

E dizia: O que sai do homem, isso contamina o homem.

21

Porque é de dentro, do coração dos homens, que saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios,

22

Os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura.

23

Todos estes males vêm de dentro e contaminam o homem.

24

E, levantando-se dali, foi para os termos de Tiro e de Sidom; e, entrando numa casa, queria que ninguém o soubesse, mas não pôde esconder-se.

25

Porque uma mulher, cuja filha tinha um espírito imundo, ouvindo falar dele, foi e lançou-se a seus pés.

26

E esta mulher era grega, siro-fenícia de nação; e rogava-lhe que expulsasse de sua filha o demônio.

27

Mas Jesus disse-lhe: Deixa primeiro que os filhos se fartem; porque não convém tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos.

28

Ela, porém, respondeu, dizendo: Sim, Senhor; mas também os cachorrinhos comem, debaixo da mesa, das migalhas dos filhos.

29

Então, ele disse-lhe: Por essa palavra, vai; o demônio já saiu de tua filha.

30

E, indo para sua casa, achou a filha deitada sobre a cama, e que o demônio já tinha saído.

31

E ele, tornando a sair dos termos de Tiro e de Sidom, foi até ao mar da Galiléia, pelos confins de Decápolis.

32

E trouxeram-lhe um surdo que falava dificilmente, e rogaram-lhe que lhe impusesse a mão.

33

E, tirando-o de entre a multidão, à parte, pôs-lhe os dedos nos ouvidos; e, cuspindo, tocou-lhe na língua.

34

E, levantando os olhos ao céu, suspirou e disse: Efatá; isto é, Abre-te.

35

E logo se abriram os seus ouvidos, e a prisão da língua se desfez, e falava perfeitamente.

36

E ordenou-lhes que a ninguém o dissessem; mas, quanto mais lhos proibia, tanto mais o divulgavam;

37

E admiraram-se sobremaneira, dizendo: Tudo fez bem; faz ouvir os surdos e falar os mudos.

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