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Evangelho sinótico escrito por Lucas, médico e companheiro de Paulo. Enfatiza o caráter universal da salvação e tem ênfase nos marginalizados. Aceito por todas as tradições cristãs.

Lucas

Capítulo 19

1

Tendo Jesus entrado em Jericó, ia passando.

2

E eis que havia ali um homem, chamado Zaqueu; e era este um chefe dos publicanos, e era rico.

3

E procurava ver quem era Jesus, e não podia, por causa da multidão, pois era de pequena estatura.

4

E, correndo adiante, subiu a uma figueira brava para o ver; porque havia de passar por ali.

5

E, quando Jesus chegou àquele lugar, olhando para cima, viu-o e disse-lhe: Zaqueu, desce depressa, porque hoje me convém pousar em tua casa.

6

E, apressando-se, desceu, e recebeu-o alegremente.

7

E, vendo todos isso, murmuravam, dizendo que entrara para ser hóspede de um homem pecador.

8

E, levantando-se Zaqueu, disse ao Senhor: Senhor, eis que eu dou aos pobres metade dos meus bens; e, se em alguma coisa tenho defraudado alguém, o restituo quadruplicado.

9

E disse-lhe Jesus: Hoje veio a salvação a esta casa, pois também este é filho de Abraão.

10

Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido.

11

E, ouvindo eles estas coisas, acrescentou Jesus uma parábola, porque estava perto de Jerusalém, e porque cuidavam que logo se havia de manifestar o reino de Deus.

12

Disse, pois: Um certo homem nobre partiu para uma terra longínqua, a fim de tomar para si um reino e depois voltar.

13

E, chamando dez servos seus, deu-lhes dez minas, e disse-lhes: Negociai até que eu venha.

14

Mas os seus concidadãos aborreciam-no, e mandaram embaixadores após ele, dizendo: Não queremos que este reine sobre nós.

15

E aconteceu que, voltando ele, depois de ter tomado o reino, disse que lhe chamassem aqueles servos a quem dera o dinheiro, para saber o que cada um tinha ganhado negociando.

16

E veio o primeiro, dizendo: Senhor, a tua mina rendeu dez minas.

17

E ele lhe disse: Bem está, servo bom; porque no mínimo foste fiel, sobre dez cidades terás autoridade.

18

E veio o segundo, dizendo: Senhor, a tua mina rendeu cinco minas.

19

E a este disse também: Sê tu também sobre cinco cidades.

20

E veio outro, dizendo: Senhor, eis aqui a tua mina, que guardei num lenço;

21

Porque tive medo de ti, que és homem rigoroso, que tomas o que não puseste e ceifas o que não semeaste.

22

Disse-lhe ele: Mau servo, pela tua boca te julgarei; sabias que eu sou homem rigoroso, que tomo o que não pus e ceifo o que não semeei?

23

Por que, pois, não puseste o meu dinheiro no banco, para que, vindo eu, o exigisse com os juros?

24

E disse aos que estavam presentes: Tirai-lhe a mina e dai-a ao que tem dez minas.

25

E disseram-lhe: Senhor, ele tem dez minas.

26

Eu, porém, vos digo que a qualquer que tiver lhe será dado; mas ao que não tiver até o que tem lhe será tirado.

27

E, quanto àqueles meus inimigos que não quiseram que eu reinasse sobre eles, trazei-os aqui e matai-os diante de mim.

28

E, dito isto, ia caminhando adiante, subindo para Jerusalém.

29

E aconteceu que, quando chegou perto de Betfagé e de Betânia, ao monte chamado das Oliveiras, mandou dois dos seus discípulos,

30

Dizendo: Ide à aldeia que está defronte; e, ao entrar nela, achareis preso um jumentinho, sobre o qual nenhum homem jamais montou; soltai-o e trazei-mo.

31

E, se alguém vos perguntar: Por que o soltais? assim lhe direis: Porque o Senhor o há de mister.

32

E, indo os que foram enviados, acharam como lhes dissera.

33

E, quando soltaram o jumentinho, seus donos lhes disseram: Por que soltais o jumentinho?

34

E eles disseram: Porque o Senhor o há de mister.

35

E trouxeram-no a Jesus; e, lançando as suas vestes sobre o jumentinho, puseram Jesus em cima.

36

E, indo ele, estendiam as suas vestes pelo caminho.

37

E, quando já chegava perto da descida do monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos, regozijando-se, começou a louvar a Deus em alta voz, por todas as maravilhas que tinham visto,

38

Dizendo: Bendito o Rei que vem em nome do Senhor! Paz no céu, e glória nas alturas!

39

E alguns dos fariseus, dentre a multidão, lhe disseram: Mestre, repreende os teus discípulos.

40

E, respondendo ele, disse-lhes: Digo-vos que, se estes se calarem, as próprias pedras clamarão.

41

E, quando ia chegando, vendo a cidade, chorou sobre ela,

42

Dizendo: Ah! Se tu conhecesses também, ao menos neste teu dia, o que à tua paz pertence! Mas isto está agora encoberto aos teus olhos.

43

Porque dias virão sobre ti, em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras, e te sitiarão, e te estreitarão de todas as bandas;

44

E te derribarão, e os teus filhos dentro de ti; e não deixarão em ti pedra sobre pedra, porquanto não conheceste o tempo da tua visitação.

45

E, entrando no templo, começou a expulsar os que ali vendiam e compravam,

46

Dizendo-lhes: Está escrito: A minha casa é casa de oração; mas vós a tendes feito covil de salteadores.

47

E todos os dias ensinava no templo; mas os principais dos sacerdotes, e os escribas, e os principais do povo procuravam matá-lo;

48

E não achavam meio de o fazer; porque todo o povo estava pendurado, ouvindo-o.

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