Evangelho sinótico escrito por Lucas, médico e companheiro de Paulo. Enfatiza o caráter universal da salvação e tem ênfase nos marginalizados. Aceito por todas as tradições cristãs.
Lucas
Capítulo 8
E aconteceu, depois disso, que andava de cidade em cidade e de aldeia em aldeia, pregando e anunciando o evangelho do reino de Deus; e os doze iam com ele,
E também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos maus e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demônios;
E Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes, e Susana, e muitas outras que o serviam com suas fazendas.
E, ajuntando-se uma grande multidão, e vindo ter com ele gente de todas as cidades, disse por parábola:
Um semeador saiu a semear a sua semente; e, quando semeava, caiu alguma junto do caminho, e foi pisada, e as aves do céu a comeram.
E outra caiu sobre pedra e, nascida, secou-se, porque não havia umidade.
E outra caiu entre espinhos, e, crescendo com ela os espinhos, a sufocaram.
E outra caiu em boa terra; e, nascida, produziu fruto, cem por um. Dizendo estas coisas, clamava: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.
E os seus discípulos perguntaram-lhe o que significava essa parábola.
E ele disse: A vós vos é dado conhecer os mistérios do reino de Deus; mas aos outros por parábolas, para que vendo, não vejam, e ouvindo, não entendam.
Este é, pois, o sentido da parábola: A semente é a palavra de Deus.
E os que estão junto do caminho, os que ouvem são aqueles; depois vem o diabo e tira a palavra do seu coração, para que não crendo, sejam salvos.
E os que estão sobre pedra, os que, ouvindo a palavra, a recebem com gozo; mas estes não têm raiz, que apenas crêem por um tempo, e no tempo da tentação se desviam.
E a que caiu entre espinhos, esses são os que ouviram e, indo por diante, são sufocados com os cuidados, e riquezas, e deleites da vida, e não dão fruto.
E a que caiu em boa terra, esses são os que, ouvindo a palavra, a conservam num coração honesto e bom, e dão fruto com perseverança.
E ninguém, acendendo uma candeia, a cobre com algum vaso, ou a põe debaixo da cama; mas põe-na num velador, para que os que entram vejam a luz.
Porque não há coisa oculta, que não haja de manifestar-se, nem escondida, que não haja de saber-se e vir à luz.
Vede, pois, como ouvis; porque a qualquer que tiver lhe será dado, e a qualquer que não tiver até o que parece ter lhe será tirado.
E foram ter com ele sua mãe e seus irmãos, e não podiam aproximar-se dele, por causa da multidão.
E foi-lhe dito: Tua mãe e teus irmãos estão lá fora, que querem ver-te.
Mas ele, respondendo, disse-lhes: Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a executam.
E aconteceu que, num daqueles dias, entrou num barco com seus discípulos, e disse-lhes: Passemos para a outra banda do lago. E partiram.
E, navegando eles, adormeceu; e sobreveio uma tempestade de vento no lago, e o barco se enchia de água, estando eles em perigo.
E, aproximando-se dele, o despertaram, dizendo: Mestre, Mestre, que perecemos! E ele, levantando-se, repreendeu o vento e a fúria da água; e cessaram, e fez-se bonança.
E disse-lhes: Onde está a vossa fé? E eles, temendo, maravilharam-se, dizendo uns aos outros: Quem é este, que até ao vento e à água manda, e lhe obedecem?
E chegaram à terra dos gadarenos, que está defronte da Galileia.
E, quando saiu para terra, saiu-lhe ao encontro um homem da cidade, que possuía demônios havia muito tempo; e não se vestia, nem estava em casa, mas nos sepulcros.
E quando viu a Jesus, prostrou-se diante dele, e exclamando com grande voz, disse: Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Peço-te que não me atormentes.
Porque tinha ordenado ao espírito imundo que saísse daquele homem; pois já havia muito tempo que o arrebatava; e guardavam-no preso com grilhões e cadeias; mas, quebrando as prisões, era impelido pelo demônio para os desertos.
E perguntou-lhe Jesus, dizendo: Qual é o teu nome? E disse: Legião; porque muitos demônios haviam entrado nele.
E rogavam-lhe que os não mandasse para o abismo.
E andava ali pastando no monte uma manada de muitos porcos; e rogaram-lhe que lhes concedesse entrar nos porcos; e concedeu-lho.
E, tendo saído aqueles demônios do homem, entraram nos porcos, e a manada se precipitou de um despenhadeiro no lago, e afogou-se.
E os que os guardavam, vendo o que acontecera, fugiram, e foram anunciá-lo na cidade e nos campos.
E saíram a ver o que tinha sucedido; e vieram ter com Jesus, a acharam o homem, de quem haviam saído os demônios, vestido e em seu são juízo, assentado aos pés de Jesus; e temeram.
E os que tinham visto contaram-lhes como fora curado aquele endemoninhado.
E toda a multidão da terra dos gadarenos ao redor lhe rogou que se retirasse deles; porque estavam possuídos de grande temor. E ele, subindo para o barco, voltou.
E aquele homem, de quem haviam saído os demônios, rogou-lhe que o deixasse estar com ele; mas Jesus o despediu, dizendo:
Torna para tua casa e conta quão grandes coisas Deus te fez. E ele foi, apregoando por toda a cidade quão grandes coisas Jesus lhe tinha feito.
E aconteceu que, quando Jesus voltou, a multidão o recebeu, porque todos o estavam esperando.
E eis que chegou um homem, chamado Jairo, que era príncipe da sinagoga; e, prostrando-se aos pés de Jesus, rogava-lhe que entrasse em sua casa;
Porque tinha uma filha única, de quase doze anos, que estava à morte. E, indo ele, a multidão o apertava.
E uma mulher, que havia já doze anos tinha um fluxo de sangue, e gastara com os médicos toda a sua fazenda, e por nenhum pudera ser curada,
Aproximou-se por detrás dele e tocou-lhe na orla da sua veste; e logo cessou o seu fluxo de sangue.
E disse Jesus: Quem é que me tocou? E, negando todos, disse Pedro e os que estavam com ele: Mestre, a multidão te aperta e te oprime.
Mas disse Jesus: Alguém me tocou; porque bem conheço que de mim saiu virtude.
E, vendo a mulher que não podia ocultar-se, aproximou-se tremendo e, prostrando-se ante ele, declarou-lhe diante de todo o povo a causa por que lhe havia tocado; e como logo sarara.
E ele lhe disse: Tem bom ânimo, filha, a tua fé te salvou; vai em paz.
Estando ele ainda falando, chegou um do príncipe da sinagoga, dizendo: A tua filha já está morta; não incomodes o Mestre.
E, ouvindo-o Jesus, respondeu-lhe: Não temas; crê somente, e será salva.
E, tendo entrado em casa, não consentiu que ninguém entrasse com ele, senão Pedro, Tiago e João, e o pai e a mãe da menina.
E todos choravam e a pranteavam; mas ele disse: Não choreis; não está morta, mas dorme.
E riam-se dele, sabendo que estava morta.
Mas ele, levando-a para fora pela mão, exclamou, dizendo: Menina, levanta-te.
E o seu espírito voltou, e ela logo se levantou; e Jesus mandou que lhe dessem de comer.
E seus pais ficaram maravilhados; e ele mandou-lhes que a ninguém dissessem o que havia sucedido.