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Também conhecido como 'Atos dos Apóstolos', é o quinto livro do Novo Testamento e continua o relato do Evangelho de Lucas. Narra a ascensão de Jesus, a vinda do Espírito Santo no Pentecostes, a expansão da igreja primitiva liderada por Pedro e, posteriormente, a missão de Paulo aos gentios.

Atos

Capítulo 19

1

E aconteceu que, enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo, tendo atravessado as regiões superiores, chegou a Éfeso e, achando alguns discípulos,

2

Disse-lhes: Recebestes vós já o Espírito Santo quando crestes? E eles disseram-lhe: Nós nem ainda ouvimos que haja Espírito Santo.

3

Então, disse ele: Em que sois vós batizados? E eles disseram: No batismo de João.

4

Mas Paulo disse: Certamente João batizou com o batismo de arrependimento, dizendo ao povo que cresse no que após ele havia de vir, isto é, em Jesus Cristo.

5

E eles, ouvindo isso, foram batizados em nome do Senhor Jesus.

6

E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas e profetizavam.

7

E estes eram, por todos, uns doze homens.

8

E, entrando na sinagoga, falou ousadamente por espaço de três meses, disputando e persuadindo acerca do Reino de Deus.

9

Mas, como alguns se endurecessem e não obedecessem, falando mal do Caminho perante a multidão, retirou-se deles e separou os discípulos, disputando cada dia na escola de um certo tirano.

10

E durou isto por espaço de dois anos; de tal maneira que todos os que habitavam na Ásia ouviram a palavra do Senhor Jesus, tanto judeus como gregos.

11

E Deus, pelas mãos de Paulo, fazia maravilhas extraordinárias.

12

De sorte que até lenços e aventais se levavam do seu corpo aos enfermos, e as enfermidades fugiam deles, e os espíritos malignos saíam.

13

E alguns dos judeus, exorcistas ambulantes, tentavam invocar o nome do Senhor Jesus sobre os que tinham espíritos malignos, dizendo: Esconjuro-vos por Jesus, a quem Paulo prega.

14

E os que faziam isto eram sete filhos de Ceva, judeu, principal dos sacerdotes.

15

Respondendo, porém, o espírito maligno, disse: Conheço a Jesus e bem sei quem é Paulo; mas vós, quem sois?

16

E, saltando neles o homem que tinha o espírito maligno, e assenhoreando-se de todos, pôde mais do que eles, de tal maneira que, nus e feridos, fugiram daquela casa.

17

E isto foi manifesto a todos os que habitavam em Éfeso; assim judeus como gregos; e caiu temor sobre todos eles, e o nome do Senhor Jesus era engrandecido.

18

E muitos dos que tinham crido vinham, confessando e denunciando as suas práticas.

19

E muitos dos que seguiam artes mágicas, ajuntando os seus livros, os queimaram na presença de todos; e, calculando o seu preço, acharam que era de cinquenta mil peças de prata.

20

Assim, a palavra do Senhor crescia poderosamente e prevalecia.

21

E, depois destas coisas, Paulo propôs em seu espírito ir a Jerusalém, passando pela Macedônia e Acaia, dizendo: Depois que estiver ali, é necessário que também veja Roma.

22

E, enviando à Macedônia dois daqueles que o serviam, a Timóteo e Erasto, ficou ele por algum tempo na Ásia.

23

Naquele tempo, houve não pequeno alvoroço acerca do Caminho.

24

Porque um ourives chamado Demétrio, que fazia de prata os templos de Diana, dava não pequeno lucro aos artífices.

25

Aos quais ele, reunindo com os oficiais de obras semelhantes, disse: Varões, vós bem sabeis que deste ofício temos o nosso ganho.

26

E bem vedes e ouvis que não só em Éfeso, mas em quase toda a Ásia, este Paulo tem convencido e afastado muita gente, dizendo que não são deuses os que se fazem com as mãos.

27

Não somente há perigo de que este nosso ofício caia em desconsideração, mas também que o templo da grande deusa Diana seja estimado em nada, vindo a ser destruída a sua majestade, a qual toda a Ásia e o mundo veneram.

28

E, ouvindo isto, encheram-se de ira e clamaram, dizendo: Grande é a Diana dos efésios!

29

E a cidade encheu-se de confusão; e, unânimes, correram ao teatro, arrebatando a Gaio e a Aristarco, macedônios, companheiros de Paulo.

30

E, querendo Paulo apresentar-se ao povo, não lho permitiram os discípulos.

31

E também alguns dos principais da Ásia, que eram amigos dele, mandaram rogar-lhe que não se arriscasse no teatro.

32

Uns, pois, clamavam de uma maneira; outros, de outra; porque a assembleia estava confusa; e os mais não sabiam por que causa se tinham ajuntado.

33

E alguns da multidão puxaram Alexandre, empurrando-o os judeus. E Alexandre, acenando com a mão, queria dar razão ao povo.

34

Mas, quando conheceram que era judeu, unânimes por quase duas horas clamaram: Grande é a Diana dos efésios!

35

E, tendo o escrivão da cidade apaziguado a multidão, disse: Varões efésios, quem é, pois, o homem que não sabe que a cidade de Éfeso é a guardadora do templo da grande Diana e da imagem que desceu de Júpiter?

36

Ora, sendo isto incontestável, convém que vos aquieteis e nada façais temerariamente.

37

Porque estes homens que aqui trouxestes nem são sacrílegos nem blasfemam da vossa deusa.

38

Portanto, se Demétrio e os oficiais que estão com ele têm alguma coisa contra alguém, audiências se celebram, e ali estão os procônsules; que se acusem uns aos outros.

39

E, se alguma coisa mais desejais, em legítima assembleia se decidirá.

40

Porque, pelo que é de hoje, corremos perigo de sermos acusados de sedição, não havendo causa alguma que nos justifique, para darmos razão deste ajuntamento.

41

E, havendo dito isto, despediu a assembleia.

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Atos em Português — Bíblia Etíope | Kanon.Bible