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Também conhecido como 'Atos dos Apóstolos', é o quinto livro do Novo Testamento e continua o relato do Evangelho de Lucas. Narra a ascensão de Jesus, a vinda do Espírito Santo no Pentecostes, a expansão da igreja primitiva liderada por Pedro e, posteriormente, a missão de Paulo aos gentios.

Atos

Capítulo 23

1

E Paulo, pondo os olhos no conselho, disse: Varões irmãos, até ao dia de hoje tenho andado diante de Deus com toda a boa consciência.

2

Mas o sumo sacerdote, Ananias, mandou aos que estavam junto dele que lhe ferissem a boca.

3

Então, Paulo lhe disse: Deus te ferirá, parede branqueada; tu estás aí assentado para julgar-me conforme a lei e, contra a lei, me mandas ferir?

4

E os que ali estavam disseram: Injurias tu o sumo sacerdote de Deus?

5

E Paulo disse: Não sabia, irmãos, que era o sumo sacerdote; porque está escrito: Não dirás mal do príncipe do teu povo.

6

E Paulo, sabendo que uma parte era de saduceus e outra, de fariseus, clamou no conselho: Varões irmãos, eu sou fariseu, filho de fariseu; no tocante à esperança e ressurreição dos mortos, sou julgado.

7

E, dizendo ele isto, houve dissensão entre os fariseus e saduceus; e a multidão se dividiu.

8

Porque os saduceus dizem que não há ressurreição, nem anjo, nem espírito; mas os fariseus confessam uma e outra coisa.

9

E levantou-se grande clamor; e, levantando-se os escribas da parte dos fariseus, contendiam, dizendo: Nenhum mal achamos neste homem; e, se algum espírito ou anjo lhe falou, não lutemos contra Deus.

10

E, havendo grande dissensão, o tribuno, temendo que Paulo fosse despedaçado por eles, mandou descer a soldadesca e arrebatá-lo do meio deles e levá-lo para a fortaleza.

11

E, na noite seguinte, o Senhor, apresentando-se a ele, disse: Paulo, tem bom ânimo; porque, como deste testemunho de mim em Jerusalém, assim importa que também dês testemunho de mim em Roma.

12

E, feito já dia, alguns dos judeus se ajuntaram e fizeram juramento com maldição, dizendo que não comeriam nem beberiam enquanto não matassem a Paulo.

13

E eram mais de quarenta os que tinham feito esta conjuração.

14

E foram ter com os principais dos sacerdotes e com os anciãos e disseram: Juramos com juramento, sob maldição, que não havemos de provar nada, até que tenhamos morto a Paulo.

15

Agora, pois, vós, com o conselho, notificai ao tribuno que o faça descer amanhã a vós, como que querendo saber mais alguma coisa a respeito dele; e nós, antes que chegue, estaremos prontos para o matar.

16

E, tendo ouvido isto o filho da irmã de Paulo, foi e entrou na fortaleza e o participou a Paulo.

17

E Paulo, chamando a si um dos centuriões, disse: Leva este jovem ao tribuno, porque tem alguma coisa que lhe comunicar.

18

Ele, pois, tomando-o, o levou ao tribuno e disse: O preso Paulo, chamando-me a si, rogou-me que trouxesse este jovem a ti, que tem alguma coisa a dizer-te.

19

E, pegando-lhe o tribuno pela mão, e apartando-se à parte, perguntou-lhe: Que é o que tens para me dizer?

20

E disse-lhe: Os judeus concordaram em rogar-te que amanhã, sob pretexto de querer saber mais alguma coisa dele, leves a Paulo ao conselho.

21

Tu, porém, não lhes dês ouvidos; porque mais de quarenta homens dentre eles lhe andam armando ciladas, os quais juraram, sob maldição, que não comerão nem beberão até que o tenham morto; e já estão apercebidos, esperando promessa tua.

22

Então, o tribuno despediu o jovem, mandando-lhe que a ninguém dissesse que lhe havia manifestado isto.

23

E, chamando dois centuriões, disse: Aparelhai duzentos soldados para que vão até Cesareia, e setenta cavaleiros, e duzentos lanceiros, à terceira hora da noite;

24

E aparelhai cavalgaduras para que, pondo a Paulo nelas, o levem salvo ao governador Félix.

25

E escreveu uma carta, concebida nestes termos:

26

Cláudio Lísias, ao excelentíssimo governador Félix, saúde.

27

Este homem, sendo preso pelos judeus, e estando quase morto por eles, intervim com a soldadesca e o livrei, tendo sabido que era romano.

28

E, querendo saber a causa por que o acusavam, o levei ao conselho deles.

29

Achei que o acusavam de algumas questões da sua lei, mas que não tinha culpa digna de morte ou de prisão.

30

E, sendo-me depois denunciado que haviam de vir ciladas contra ele, to-lhe logo enviei, mandando também aos acusadores que perante ti digam o que tiverem contra ele. Passa bem.

31

E os soldados, conforme o que lhes fora mandado, tomaram a Paulo e o levaram de noite a Antipátride.

32

E no dia seguinte, deixando aos cavaleiros irem com ele, voltaram à fortaleza.

33

Os quais, entrando em Cesareia, e entregando a carta ao governador, lhe apresentaram também Paulo.

34

E o governador, depois de ler a carta, perguntou de que província era; e, tendo-lhe dito que era da Cilícia,

35

Disse: Ouvir-te-ei quando os teus acusadores também chegarem. E mandou que o guardassem no pretório de Herodes.

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Atos em Português — Bíblia Etíope | Kanon.Bible