Também conhecido como 'Atos dos Apóstolos', é o quinto livro do Novo Testamento e continua o relato do Evangelho de Lucas. Narra a ascensão de Jesus, a vinda do Espírito Santo no Pentecostes, a expansão da igreja primitiva liderada por Pedro e, posteriormente, a missão de Paulo aos gentios.
Atos
Capítulo 25
Entrando, pois, Festo na província, subiu, dali a três dias, de Cesareia a Jerusalém.
E os principais dos sacerdotes e os judeus mais distintos lhe apresentaram queixa contra Paulo e rogaram-lhe,
Pedindo favor contra ele, que o mandasse vir a Jerusalém, armando-lhe ciladas para o matarem no caminho.
Festo, porém, respondeu que Paulo estava em Cesareia preso e que ele mesmo brevemente partiria para lá.
Disse, pois: Os que entre vós são principais desçam comigo e, se neste homem há alguma coisa fora de razão, acusem-no.
E, não se demorando entre eles mais de oito ou dez dias, desceu a Cesareia; e, no dia seguinte, assentou-se no tribunal e mandou que trouxessem Paulo.
E, chegando ele, o cercaram os judeus que haviam descido de Jerusalém, trazendo muitas e graves acusações contra Paulo, as quais não podiam provar.
Mas ele em sua defesa disse: Não pequei em coisa alguma contra a lei dos judeus, nem contra o templo, nem contra César.
Todavia, Festo, querendo comprazer aos judeus, respondendo a Paulo, disse: Queres subir a Jerusalém e lá ser julgado perante mim destas coisas?
E Paulo disse: Estou perante o tribunal de César, onde convém que seja julgado; não fiz agravo algum aos judeus, como também tu muito bem sabes.
Se fiz algum agravo ou cometi alguma coisa digna de morte, não recuso morrer; mas, se nada há das coisas de que estes me acusam, ninguém me pode entregar a eles. Apelo para César.
Então, Festo, tendo falado com o conselho, respondeu: Apelaste para César, irás a César.
E, passados alguns dias, o rei Agripa e Berenice chegaram a Cesareia, para saudar Festo.
E, como ali detivessem muitos dias, Festo contou ao rei a causa de Paulo, dizendo: Está aqui um homem que Félix deixou preso,
Por causa do qual, quando fui a Jerusalém, os principais dos sacerdotes e os anciãos dos judeus me deram queixa, pedindo condenação contra ele.
Aos quais respondi que não é costume dos romanos condenar algum homem sem que o acusado tenha presentes os seus acusadores e possa defender-se da acusação.
Vindo, pois, eles juntamente para aqui, no dia seguinte, sem fazer dilação alguma, assentado no tribunal, mandei que trouxessem o homem.
Acerca do qual, levantando-se os acusadores, nenhuma causa apresentaram das que eu suspeitava;
Tinham, porém, contra ele algumas questões acerca da sua superstição e de um tal Jesus, morto, o qual Paulo afirmava viver.
E, estando eu perplexo acerca da inquirição destas coisas, perguntei se queria ir a Jerusalém e lá ser julgado acerca destas coisas.
Mas, apelando Paulo para que fosse reservado ao conhecimento de Augusto, mandei que o guardassem até que o envie a César.
Então, Agripa disse a Festo: Também eu bem quisera ouvir esse homem. E ele disse: Amanhã o ouvirás.
E no dia seguinte, vindo Agripa e Berenice, com muito aparato, e entrando na audiência, com os tribunos e principais homens da cidade, foi mandado que viesse Paulo, por ordem de Festo.
E disse Festo: Rei Agripa, e todos os varões que estais presentes conosco, aqui vedes aquele por cuja causa toda a multidão dos judeus me solicitou, tanto em Jerusalém como aqui, clamando que não convinha que vivesse mais.
Mas eu achei que nenhuma coisa digna de morte ele havia feito; e, apelando ele para Augusto, determinei enviar-lho.
Do qual não tenho coisa certa que escreva ao meu senhor; pelo qual a ele perante vós o trago, especialmente perante ti, ó rei Agripa, para que, depois de examinado, tenha alguma coisa que escrever.
Porque me parece contra a razão enviar algum preso e não declarar as acusações que contra ele há.