Também conhecido como 'Atos dos Apóstolos', é o quinto livro do Novo Testamento e continua o relato do Evangelho de Lucas. Narra a ascensão de Jesus, a vinda do Espírito Santo no Pentecostes, a expansão da igreja primitiva liderada por Pedro e, posteriormente, a missão de Paulo aos gentios.
Atos
Capítulo 26
E Agripa disse a Paulo: É-te permitido falar por ti mesmo. Então, Paulo, estendendo a mão, respondeu por si:
Tenho-me por venturoso, ó rei Agripa, de que perante ti me haja hoje de defender de todas as coisas de que sou acusado pelos judeus;
Muito mais conhecendo que sabes todos os costumes e questões que entre os judeus há; pelo que te rogo que me ouças com paciência.
A minha vida, pois, desde a mocidade, qual desde o princípio foi entre a minha nação em Jerusalém, todos os judeus a conhecem;
Sabendo de mim desde o princípio (se quiserem dar testemunho), que, conforme a mais severa seita da nossa religião, vivi fariseu.
E, agora, pela esperança da promessa que por Deus foi feita a nossos pais, estou aqui posto em julgamento;
À qual as nossas doze tribos, servindo a Deus continuamente, noite e dia, esperam chegar; pela qual esperança, ó rei Agripa, sou acusado pelos judeus.
Por que se julga entre vós incrível que Deus ressuscite os mortos?
Bem tinha eu pensado que contra o nome de Jesus Nazareno devia eu praticar muitos atos;
O que também fiz em Jerusalém. Havendo recebido poder dos principais dos sacerdotes, encerrei muitos dos santos nas prisões; e, quando os matavam, dava o meu voto contra eles.
E, castigando-os muitas vezes por todas as sinagogas, os obriguei a blasfemar; e, demasiadamente enfurecido contra eles, os perseguia até nas cidades estranhas.
Para o que, indo a Damasco, com poder e comissão dos principais dos sacerdotes,
Ao meio-dia, ó rei, vi no caminho uma luz do céu, que excedia o esplendor do sol, cuja claridade me envolveu a mim e aos que iam comigo.
E, caindo todos nós por terra, ouvi uma voz que me falava em língua hebraica: Saulo, Saulo, por que me persegues? Dura coisa te é recalcitrar contra os aguilhões.
E disse eu: Quem és, Senhor? E ele respondeu: Eu sou Jesus, a quem tu persegues.
Mas levanta-te e põe-te sobre teus pés; porque para isto te apareci, para te por ministro e testemunha tanto das coisas que tens visto como daquelas pelas quais te aparecerei ainda;
Livrando-te deste povo e dos gentios, aos quais agora te envio,
Para lhes abrires os olhos, e das trevas os converteres à luz, e do poder de Satanás a Deus; a fim de que recebam a remissão dos pecados e herança entre os que são santificados pela fé em mim.
Pelo que, ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial;
Mas anunciei primeiramente aos que estão em Damasco, e em Jerusalém, e por toda a terra da Judeia, e aos gentios, que se emendassem e se convertessem a Deus, fazendo obras dignas de arrependimento.
Por causa disto, os judeus, lançando mão de mim no templo, procuravam matar-me.
Mas, alcançando o auxílio de Deus, permaneço até ao dia de hoje, dando testemunho, tanto a pequenos como a grandes, não dizendo nada mais do que o que os profetas e Moisés disseram que devia acontecer,
Isto é, que o Cristo devia padecer, e, sendo o primeiro da ressurreição dos mortos, devia anunciar a luz a este povo e aos gentios.
E, dizendo ele isto em sua defesa, Festo disse em alta voz: Estás louco, Paulo; as muitas letras te fazem delirar.
Mas ele disse: Não estou louco, ó excelentíssimo Festo, antes falo palavras de verdade e de bom senso.
Porque o rei, diante de quem eu falo com ousadia, sabe estas coisas, pois não creio que nada disto lhe é oculto; porque isto não se fez em qualquer canto.
Crês, rei Agripa, nos profetas? Eu sei que crês.
E disse Agripa a Paulo: Por pouco me queres persuadir a que me faça cristão!
E disse Paulo: Prouvera a Deus que, ou por pouco ou por muito, não somente tu, mas também todos quantos hoje me estão ouvindo, se tornassem tais qual eu sou, exceto estas prisões.
E, dizendo ele isto, se levantou o rei, e o governador, e Berenice, e os que com eles estavam assentados;
E, apartando-se, falavam uns com os outros, dizendo: Este homem não faz nada digno de morte ou de prisão.
E Agripa disse a Festo: Este homem podia soltar-se, se não houvera apelado para César.