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Também conhecido como 'Atos dos Apóstolos', é o quinto livro do Novo Testamento e continua o relato do Evangelho de Lucas. Narra a ascensão de Jesus, a vinda do Espírito Santo no Pentecostes, a expansão da igreja primitiva liderada por Pedro e, posteriormente, a missão de Paulo aos gentios.

Atos

Capítulo 27

1

E, como se determinou que havíamos de navegar para Itália, entregaram Paulo e alguns outros presos a um centurião por nome Júlio, da coorte augusta.

2

E, embarcando num navio de Adramítio, que havia de navegar pelas costas da Ásia, partimos, estando conosco Aristarco, macedônio de Tessalônica.

3

E, no dia seguinte, chegamos a Sidom; e Júlio, tratando Paulo com humanidade, o deixou ir ver os amigos e recrear-se.

4

E, partindo dali, navegamos abaixo de Chipre, por estarem os ventos contrários.

5

E, atravessando o mar da Cilícia e Panfília, chegamos a Mirra, na Lícia.

6

E, achando ali o centurião um navio de Alexandria, que navegava para Itália, nos fez embarcar nele.

7

E, navegando vagarosamente muitos dias, e chegando dificultosamente defronte de Cnido, não nos deixando o vento, navegamos abaixo de Creta, perto de Salmona.

8

E, costeando-a dificultosamente, chegamos a um lugar chamado Bons Portos, perto do qual estava a cidade de Laséia.

9

E, passado muito tempo, e sendo já perigosa a navegação, por ter passado também o jejum, Paulo os admoestava,

10

Dizendo-lhes: Varões, bem vejo que a navegação há de ser com dano e muita perda, não só da carga e do navio, mas também das nossas vidas.

11

Mas o centurião cria mais no piloto e no senhor do navio do que no que Paulo dizia.

12

E, não sendo o porto cómodo para invernar, os mais aconselhavam que dali partíssemos para ver se de algum modo podíamos chegar a Fenícia, para invernar; porto de Creta que olha para o nordeste e para o sueste.

13

E, soprando um vento do sul, cuidando que tinham alcançado o que pretendiam, levando âncora, ião navegando junto de Creta.

14

Mas não muito depois, deu nela um vento tempestuoso, chamado Euro-aquilão.

15

E, arrebatado o navio, e não podendo navegar contra o vento, largamo-lo à mercê do vento, e fomos levados.

16

E, correndo para uma ilha pequena, chamada Clauda, apenas pudemos apoderar-nos do batel;

17

E, içando-o para o navio, usaram de suportes para cingir o navio; e, temendo que fossem dar nos baixios de Sirte, arriando as velas, assim eram levados.

18

E, sendo sobremodo combatidos pela tempestade, no dia seguinte, alijaram a carga.

19

E, ao terceiro dia, lançaram fora com as suas próprias mãos os aparelhos do navio.

20

E, não aparecendo nem sol nem estrelas por muitos dias, e caindo sobre nós não pequena tempestade, já toda a esperança de nos salvarmos estava tirada.

21

Então, depois de muito não terem comido, Paulo, levantando-se no meio deles, disse: Na verdade, ó varões, era necessário que, obedecendo-me, não partíssemos de Creta e assim evitaríamos este dano e perda.

22

Mas agora exorto-vos a que tenhais bom ânimo, porque não se perderá a vida de nenhum de vós, somente o navio.

23

Porque o anjo de Deus, a quem pertenço e a quem sirvo, esta noite esteve comigo,

24

Dizendo: Paulo, não temas; importa que sejas apresentado a César; e eis que Deus te tem dado todos quantos navegam contigo.

25

Portanto, ó varões, tende bom ânimo; porque creio em Deus que há de acontecer assim como me foi dito.

26

Mas é necessário que sejamos arrojados em alguma ilha.

27

E, quando veio a décima quarta noite, e nós sendo levados de um lado para outro no mar Adriático, à meia-noite, os marinheiros suspeitaram que estavam perto de alguma terra,

28

E, lançando a sonda, acharam vinte braças; e, passando um pouco mais adiante, tornando a lançar a sonda, acharam quinze braças.

29

E, temendo dar em alguns rochedos, lançaram da popa quatro âncoras e desejavam que viesse o dia.

30

E, procurando os marinheiros fugir do navio, tendo já lançado o batel ao mar, como se quisessem estender as âncoras da proa,

31

Disse Paulo ao centurião e aos soldados: Se estes não ficarem no navio, vós não podeis salvar-vos.

32

Então, os soldados cortaram as amarras do batel e deixaram-no cair.

33

E, indo já amanhecendo, Paulo exortava a todos a que comessem, dizendo: É já o décimo quarto dia que esperais, permanecendo em jejum, não tendo comido nada.

34

Pelo que vos rogo que comais, pois isto é para a vossa saúde; porque nem um cabelo cairá da cabeça de qualquer de vós.

35

E, havendo dito isto, tomando o pão, deu graças a Deus na presença de todos e, partindo-o, começou a comer.

36

Então, todos, tomando ânimo, também comeram.

37

E éramos, no navio, duzentas e setenta e seis almas.

38

E, estando já fartos, aliviaram o navio, lançando o trigo ao mar.

39

E, sendo já dia, não conheceram a terra; mas avistaram uma enseada que tinha praia, na qual concordaram, se pudessem, fazer chegar o navio.

40

E, levantando as âncoras, as deixaram no mar, largando também as amarras do leme; e, içando a vela pequena ao vento, caminhavam para a praia.

41

E, dando num lugar onde duas correntes se encontravam, encalharam o navio; e a proa, encravando-se, ficou imóvel, e a popa se quebrava com a violência do mar.

42

E o parecer dos soldados era que matassem os presos, para que não pudesse escapar alguém, fugindo.

43

Mas o centurião, querendo salvar a Paulo, estorvou este intento; e mandou que os que pudessem nadar se lançassem primeiro e saíssem à terra;

44

E os outros, uns, em tábuas, e outros, em pedaços do navio. E assim aconteceu que todos se salvaram em terra.

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Atos em Português — Bíblia Etíope | Kanon.Bible