Segunda Epístola de Pedro, amplamente aceita no cânon desde o século IV, embora tenha sido discutida na antiguidade. A autoria petrina é afirmada no texto, e a carta tem forte ênfase na combativa contra falsos mestres e na certeza da segunda vinda de Cristo.
2 Pedro
Capítulo 2
E TAMBÉM entre o povo houve falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição.
E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade.
E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita.
Porque, se Deus não perdoou aos anjos que pecaram, mas, havendo-os lançado no inferno, os entregou às cadeias da escuridão, ficando reservados para o juízo;
E não perdoou ao mundo antigo, mas guardou a Noé, o oitavo, pregoeiro da justiça, ao trazer o dilúvio sobre o mundo dos ímpios;
E condenou à destruição as cidades de Sodoma e Gomorra, reduzindo-as a cinza, e pondo-as para exemplo aos que vivessem impiamente;
E livrou o justo Ló, enfadado da vida dissoluta dos homens abomináveis,
Porque este justo, habitando entre eles, afligia a sua alma justa, dia após dia, vendo e ouvindo as suas obras injustas.
Também sabe o Senhor livrar da tentação os piedosos, e reservar os injustos sob o castigo para o dia do juízo;
Mas principalmente aqueles que segundo a carne andam em concupiscências de imundícia, e desprezam as dominações; atrevidos, obstinados, não temendo blasfemar das potências superiores;
Enquanto os anjos, sendo maiores em força e poder, não pronunciam contra eles juízo blasfemo diante do Senhor.
Mas estes, como animais irracionais, que seguem a natureza, feitos para serem presos e mortos, blasfemando do que não entendem, perecerão na sua corrupção;
Recebendo o galardão da injustiça; pois que têm por deleite os deleites de cada dia; são nódoas e manchas, deleitando-se em suas próprias dissoluções, quando se banqueteiam convosco;
Tendo os olhos cheios de adultério, e não cessando de pecar, engodando as almas inconstantes, tendo o coração exercitado na avareza, filhos da maldição;
Os quais, deixando o caminho direito, erraram, seguindo o caminho de Balaão, filho de Beor, que amou o prêmio da injustiça;
Mas teve a repreensão da sua transgressão; o jumento mudo, falando com voz humana, impediu a loucura do profeta.
Estes são fontes sem água, nuvens levadas pela tormenta, para os quais a escuridão das trevas eternamente se reserva.
Porque, falando coisas mui arrogantes de vaidade, engodam com as concupiscências da carne, e com as dissoluções, aqueles que se estavam afastando dos que andam em erro;
Prometendo-lhes liberdade, sendo eles mesmos servos da corrupção; porque de quem alguém é vencido, ao tal é também sujeito.
Porquanto se, depois de terem escapado das corrupções do mundo, pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, forem outra vez envolvidos nelas e vencidos, tornou-se-lhes o último estado pior que o primeiro.
Porque melhor lhes fora não terem conhecido o caminho da justiça, do que, conhecendo-o, desviarem-se do santo mandamento que lhes foi dado.
Deste modo sobreveio-lhes o que por um verdadeiro provérbio se diz: O cão voltou ao seu próprio vômito, e a porca lavada ao espojadouro de lama.