O Apocalipse de João é o último livro do cânon protestante e católico. É aceito por todas as tradições cristãs principais, incluindo a Igreja Católica, Ortodoxa Oriental, Ortodoxa Etíope e Protestante. É o único livro profético do Novo Testamento, escrito por João na ilha de Patmos durante o reinado de Domiciano (c. 95 d.C.).
Apocalipse
Capítulo 18
E depois destas coisas vi descer do céu outro anjo, que tinha grande poder, e a terra foi iluminada com a sua glória.
E clamou fortemente com grande voz, dizendo: Caiu, caiu a grande Babilônia, e se tornou morada de demônios, e abrigo de todo espírito imundo, e esconderijo de toda ave imunda e odiável.
Porque todas as nações beberam do vinho da ira da sua prostituição, e os reis da terra se prostituíram com ela; e os mercadores da terra se enriqueceram com a abundância das suas delícias.
E ouvi outra voz do céu, que dizia: Sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados, e para que não incorras nas suas pragas.
Porque os seus pecados se acumularam até ao céu, e Deus se lembrou das suas iniquidades.
Dai-lhe como ela vos deu a vós, e retribuí-lhe em dobro conforme as suas obras; no cálice em que vos deu a beber, dai-lhe a ela em dobro.
Quanto ela se glorificou e esteve em delícias, tanto lhe dai de tormento e pranto; porque diz em seu coração: Estou assentada como rainha, e não sou viúva, e não verei o pranto.
Por isso, num dia virão as suas pragas: a morte, o pranto e a fome; e será queimada no fogo; porque forte é o Senhor Deus que a julga.
E os reis da terra, que com ela se prostituíram e viveram em delícias, a chorarão, e sobre ela prantearão, quando virem a fumaça do seu incêndio,
Estando de longe, pelo temor do seu tormento, dizendo: Ai! ai da grande cidade Babilônia, cidade forte! porque numa hora veio o teu juízo.
E sobre ela choram e lamentam os mercadores da terra, porque ninguém mais compra as suas mercadorias:
Mercadorias de ouro, e de prata, e de pedras preciosas, e de pérolas, e de linho fino, e de púrpura, e de seda, e de escarlata; e toda a madeira odorífera, e todo o vaso de marfim, e todo o vaso de madeira preciosíssima, de bronze, de ferro e de mármore;
E canela, e incenso, e unguento, e perfume, e mirra, e franquincenso, e vinho, e azeite, e flor de farinha, e trigo, e gado, e ovelhas; e cavalos, e carros, e servos, e almas de homens.
E os frutos do desejo da tua alma foram-se de ti; e todas as coisas delicadas e excelentes se foram de ti, e não as acharás mais.
Os mercadores destas coisas, que com elas se enriqueceram, estarão de longe, pelo temor do seu tormento, chorando e lamentando,
E dizendo: Ai! ai da grande cidade, que estava vestida de linho fino, de púrpura, de escarlata, e adornada com ouro, e pedras preciosas, e pérolas!
Porque numa hora foram destruídas tantas riquezas. E todo o piloto, e todo o que navega em naus, e os marinheiros, e quantos trabalham no mar, estiveram de longe.
E, vendo a fumaça do seu incêndio, clamaram, dizendo: Que cidade é semelhante a esta grande cidade?
E lançaram pó sobre as suas cabeças, e clamaram, chorando e lamentando, dizendo: Ai! ai da grande cidade, na qual todos os que tinham naus no mar se enriqueceram por causa da sua opulência! porque numa hora foi destruída.
Alegra-te sobre ela, ó céu, vós, santos apóstolos e profetas, porque já Deus julgou a vossa causa contra ela.
E um forte anjo levantou uma pedra, qual uma grande pedra de moinho, e lançou-a no mar, dizendo: Com igual ímpeto será lançada Babilônia, a grande cidade, e nunca mais será achada.
E em ti não se ouvirá mais a voz de harpistas, e de músicos, e de flautistas, e de trombeteiros; e em ti não se achará mais nenhum artífice de qualquer arte; e em ti não se ouvirá mais o som da mó;
E a luz da vela não mais resplandecerá em ti; e a voz do esposo e da esposa não mais em ti se ouvirá; porque os teus mercadores eram os grandes da terra; porque todas as nações foram enganadas pelas tuas feitiçarias.
E nela se achou o sangue dos profetas, e dos santos, e de todos os que foram mortos na terra.